Beiras e Serra da Estrela com orçamento de 36,6 ME para 2026

Cimbse

A Comunidade Intermunicipal (CIM) Região Beiras e Serra da Estrela tem um orçamento de 36,6 milhões de euros (ME) para 2026 com o objetivo de acompanhar os fundos comunitários do PRR e do Portugal 2030.

O orçamento e plano de atividades já foram aprovados pela Assembleia Intermunicipal, que também elegeu Nuno Fazenda, deputado municipal da Covilhã, para seu presidente.

“As nossas prioridades para 2026 são a execução dos fundos comunitários, através do PRR [Plano de Recuperação e Resiliência] e do Portugal 2030, para que o dinheiro chegue o mais rapidamente possível às empresas, às autarquias e às pessoas”, disse à agência Lusa Carlos Condesso, presidente da Comunidade Intermunicipal Região Beiras e Serra da Estrela (CIMRBSE).

A novidade é a criação de uma agência de captação de investimento, inovação, internacionalização e empreendedorismo porque “a AICEP [Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal] não tem atraído empresas para o nosso território”.

Carlos Condesso lamenta que, apesar das reivindicações da CIM e dos municípios, “não tem havido investimento por essa via, por isso vamos criar a nossa própria agência para atração de investimento, inovação, internacionalização e empreendedorismo da Região Beiras e Serra da Estrela”.

“É um projeto aliciante em que, basicamente, essa empresa vai fazer o trabalho que a AICEP devia fazer e não faz”, criticou.

O também autarca de Figueira de Castelo Rodrigo justificou a opção com o argumento de que “temos de ser proativos, porque já percebemos que a AICEP não traz investimentos. Temos sido desprezados e já não é de agora, pelo que temos de arregaçar as mangas”.

A futura agência servirá também para orientar os investidores na procura de apoios e fundos comunitários para a instalação das empresas, adiantou.

Carlos Condesso disse esperar que a agência comece “a dar os primeiros passos” este ano.

Em 2026, a CIMRBSE quer ainda avançar e concluir a construção de casas para arrendamento a custos acessíveis, no âmbito de um contrato assinado com o Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU) com 82 ME.

“Muitos municípios já avançaram com as obras, outros estão em projeto e alguns até já concluíram as construções. É um investimento muito necessário para estes territórios, onde há dificuldade para arranjar alojamento”, acrescentou.

Outra prioridade continua a ser a cooperação transfronteiriça, com vários projetos candidatados e outros a ser desenvolvidos, nomeadamente ao nível da proteção civil.

“Estamos a unir esforços do lado de Portugal e de Espanha para apostar nas dinâmicas desta região de fronteira, bem como na articulação dos meios e na sensibilização da comunidade para as intempéries e os incêndios”.

Investir na digitalização de um território onde “ainda há zonas sem cobertura de fibra ótica, de Internet e, em muitos casos, de rede móvel”, é outra ação prevista.

Nos transportes públicos, a CIMRBSE vai apostar na descarbonização através da aquisição de 31 autocarros, 16 dos quais a hidrogénio, num investimento de cerca de 17 ME.

“A candidatura está aprovada, falta apenas que o Fundo Ambiental autorize que esses autocarros sejam colocados ao serviço dos municípios para transporte flexível”, adiantou o presidente da CIMRBSE.

Este ano, será também adjudicado o concurso público internacional para a rede intermunicipal de transportes públicos.

“O procedimento está concluído, falta apenas assinarmos o contrato, o que deverá ocorrer nas próximas semanas”, garantiu Carlos Condesso.

A CIMRBSE vai também continuar a aposta na promoção turística de um território que vai do Douro à Serra da Estrela.

O orçamento de 2026 contempla ainda ações de sensibilização para dar a conhecer à população o trabalho da CIM.

“Ainda há muita gente, passados estes anos, que não sabe o que faz e para que serve a Comunidade Intermunicipal, quais são as suas competências e atribuições”.

Carlos Condesso adiantou que o orçamento para 2026 cresceu cerca de 20 ME face a 2025, quando foi de 16,6 ME, mas acrescentou que a diferença é justificada pela candidatura para a descarbonização dos transportes públicos.

“Se for para a frente, o orçamento é de 36 ME, se não vamos ter que fazer uma alteração e retirar-lhe estes quase 17 milhões”, disse.

Com mais de 200 mil habitantes, a Comunidade Intermunicipal Região Beiras e Serra da Estrela engloba 15 municípios, sendo 12 do distrito da Guarda (Almeida, Celorico da Beira, Figueira de Castelo Rodrigo, Fornos de Algodres, Gouveia, Guarda, Manteigas, Meda, Pinhel, Sabugal, Seia e Trancoso) e três do distrito de Castelo Branco (Belmonte, Covilhã e Fundão).


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