Sindicatos de Guarda e Castelo Branco pedem reposição do preço de passes sociais

As uniões dos sindicatos da Guarda e de Castelo Branco afetas à CGTP apelaram hoje à Comunidade Intermunicipal das Beiras e Serra da Estrela (CIM-BSE) para que reponha os preços dos passes sociais que foram alterados em setembro.

Uma delegação de sindicalistas reuniu hoje, na Guarda, com os dois secretários executivos da CIM-BSE, a quem transmitiram as linhas gerais da reivindicação que visa a reposição dos preços dos passes sociais nas autarquias que integram aquela Comunidade Intermunicipal.

Desde o início de setembro que a CIM-BSE limita o apoio à aquisição de passes de transporte. Segundo as novas regras, o apoio a conceder “será de 50% do preço, mas limitado a pessoas em situação de carência económica que terá de ser comprovada pela Câmara Municipal da residência”.

Até setembro, a CIM-BSE apoiava em 40% do seu preço a aquisição de passes normais e, em 60%, nos casos em que o adquirente tivesse mais de 65 anos ou menos de 23.

A decisão foi deliberada pelo conselho intermunicipal da CIM-BSE, no âmbito do Programa de Apoio à Redução Tarifária (PART), “no contexto criado pelas medidas restritivas de circulação adotadas no combate à pandemia de covid-19” e que “provocou défices acentuados no setor de transportes públicos de passageiros”.

José Pedro Branquinho, coordenador da União dos Sindicatos da Guarda, disse aos jornalistas que a reunião serviu para transmitir preocupações “com a mobilidade no interior” do país e informar que os sindicatos vão colocar o problema “na rua” e recolher assinaturas junto da população.

O encontro “correu bem” e, segundo o sindicalista, os secretários-executivos admitiram “que é possível o PART ter um financiamento mais adequado para o interior, de forma a que haja justiça na mobilidade das pessoas”.

O responsável explicou que quando o PART foi criado, “foi desenhado essencialmente para as áreas metropolitanas, mas o senhor primeiro-ministro referiu que as Comunidades Intermunicipais não iam ficar de fora e que todas elas iam ficar contempladas”.

Na sua opinião, o problema dos transportes públicos nas zonas com menor população pode ser ultrapassado com uma nova nacionalização ou financiando os operadores.

Sérgio Santos, da União dos Sindicatos de Castelo Branco, referiu, como exemplo, que, desde 01 de setembro, um trabalhador da Covilhã que pagava 18 euros pelo passe rodoviário, passou a pagar 39 euros.

“O nosso entendimento é que voltem os descontos como estavam até 31 de agosto”, disse.

António Ruas, secretário executivo da CIM-BSE, explicou que “uma coisa é [os sindicatos] estarem a reivindicar o PART, portanto, a redução de tarifário”, e, “outra coisa, é esquecerem-se que para estarem a reivindicar o PART tem que haver transportes”.

Nos territórios de baixa densidade “é muito difícil que uma operadora seja sustentável” se não forem desenhadas redes “que sejam complementares e eventualmente desdobradas para que sejam eficientes e autossustentáveis”, defendeu.

António Ruas lembrou que a CIM-BSE tem a decorrer um concurso público internacional para a rede de transportes.

A CIM-BSE é constituída por 15 municípios: 12 do distrito da Guarda (Almeida, Celorico da Beira, Figueira de Castelo Rodrigo, Fornos de Algodres, Guarda, Gouveia, Manteigas, Meda, Pinhel, Seia, Sabugal e Trancoso) e três do distrito de Castelo Branco (Belmonte, Covilhã e Fundão).



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