Vale do Côa aposta na recuperação cultural turística com parcerias com entidades privadas

Pretendem fazer uma experiência semanal de reunir, de dois em dois dias, grupos de 16 a 20 pessoas, para conhecer e visitar o Vale do Côa.

O Clube Escape Livre (CEL) e a Fundação Côa Parque iniciaram hoje uma parceria que tem em vista a recuperação turística do Vale do Côa, com destaque para a arte rupestre e o património cultural, paisagístico e gastronómico.

A iniciativa passa por trazer a este território do distrito da Guarda grupos de visitantes, nunca superiores a 20 pessoas, de modo a salvaguardar a distância de segurança, nesta altura da pandemia, para que possam visitar os atrativos da arte paleolítica do Vale do Côa, com mais de 30.000 anos, assim como todo o espólio ao ar livre do Parque Arqueológico e do Museu do Côa.

“Em poucos dias já conseguimos metade das inscrições de visitantes, pretendidas. Se houver procura e interesse será possível estender o programa a este território com um património único”, disse à Lusa o presidente do CEL, Luís Celínio.

O CEL, em parceria com a Fundação Côa Parque, vai avançar com uma experiência semanal de reunir, de dois em dois dias, grupos de 16 a 20 pessoas, para conhecer e visitar o Vale do Côa.

Nas semanas de 20 a 25 de julho e de 8 a 13 de agosto, o CEL, com sede na cidade da Guarda, tenciona atingir cerca de 120 visitantes divididos em grupos nunca superiores a 20 pessoas.

“A preocupante situação que o turismo enfrenta, nomeadamente nas regiões Norte e Centro, exige que cada um, na sua área específica, faça melhor e diferente para combater a incerteza e incentivar o mais depressa um regresso à normalidade”, indicou o responsável pelo CEL.

Já o presidente Fundação Côa Parque, Bruno Navarro, avançou que objetivo desta parceria é uma espécie de desconfinamento cultural e turístico do Vale do Côa em tempo de covid-19.

“Esta medida enquadrar-se na estratégia da Fundação para atrair novos parceiros que pretendem mostrar o que melhor tem esta região, seja na área do património cultural e ambiental, ou na vertente dos produtos endógenos”, vincou.

A equipa de receção e bilheteira e a capacidade logística do Museu do Côa (MC) foi reforçada para que os visitantes sejam recebidos mediante as regras decretadas pela Direção-Geral da Saúde (DGS), para este tipo de equipamento cultural.

O projeto foi acompanhado pela secretária de Estado da Valorização do Interior, Isabel Ferreira, que disse que esta ação é uma forma de juntar a economia com a ciência, já que estão em curso vários projetos de investigação no Vale do Côa.

“Os projetos estão ligados à arqueologia e à arte rupestre, mas também a outras vertentes como as alterações climáticas ou a agricultura. São estas parcerias que fazem com que haja uma verdadeira dinamização socioeconómica dos territórios”, frisou a governante.

Esta parceria é, para a secretária de Estado, uma forma de divulgar as componentes “de um território riquíssimo em diversas vertentes e que acaba por ser um exemplo no campo transfronteiriço, no que respeita à arte rupestre.

Segundo os promotores, este projeto foi desenvolvido e preparado em conjunto com o Museu do Côa, o Longroiva Hotel & Termal SPA, a Adega Quinta Vale d’Aldeia e a Quinta da Ervamoira, “espaços que vão usufruir da presença dos visitantes e tem como objetivo alavancar a economia local assegurando pequenos grupos que, cumprindo as normas da DGS, vão ocupar alojamento, tomar refeições e fazer visitas aos museus”.

Para o presidente da Câmara de Foz Côa, Gustavo Duarte, esta é uma forma de voltar a trazer pessoas ao concelho depois do interregno provocado resposta ao risco de contágio da covid-19.

“Nestes tempos de pandemia está é uma forma de abrir um concelho aos turistas que tem dois patrimónios mundiais da humanidade, a Arte do Côa e Douro Vinhateiro”, observou o autarca.

A iniciativa conta com a colaboração dos municípios da Vila Nova de Foz Côa e da Mêda, no distrito da Guarda.

O Parque Arqueológico do Vale do Côa detém mais de mil rochas com manifestações rupestres, identificadas em mais de 80 sítios distintos, sendo predominantes as gravuras paleolíticas, executadas há cerca de 30.000 anos, cada vez mais expostas a adversidades climatéricas e geológicas.

O PAVC a foi criado em agosto de 1996. A arte do Côa foi classificada como Monumento Nacional em 1997 e, em 1998, como Património da Humanidade pela organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura.



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