ISEP desenvolve válvula de água inteligente que pode ser controlada à distância

O projeto desenvolvido pelo ISEP já está a ser produzido por uma empresa da Covilhã, estando prontas 300 unidades para testes.

Com a válvula desenvolvida no Instituto Superior de Engenharia do Porto será possível às empresas distribuidoras cortarem e restabelecerem o acesso à água de forma remota. Já foram produzidas 300 unidades de teste e mais 10 mil já estão a ser preparadas.

As empresas responsáveis pela distribuição de água, como a INDAQUA, por vezes sentem grandes dificuldades nas operações de corte e reposição. Muitas das válvulas estão dentro da casa das pessoas e nem sempre é fácil conjugar a visita do técnico com o horário dos utilizadores.

E as operações de corte de água não acontecem só por falta de pagamento: por motivos de obras ou até por mudança de casa, são várias as razões que levam um técnico a proceder a estas operações.

E para agilizar todo o processo, a empresa pediu ao  Instituto Superior de Engenharia do Porto uma válvula inteligente que pudesse ser controlada à distância. O produto já foi criado.

O professor que liderou o desenvolvimento da Válvula Automática de Controlo (RAV), Luís Lima, explicou que o sistema usa uma tecnologia de radiofrequência para poder ser ativado ou desativado remotamente.

O investigador salienta que não é possível estar sentado no escritório a gerir as válvulas, implicando sempre a deslocação de um técnico ao local. A vantagem é que a viagem nunca é perdida, já que não precisa de entrar dentro da casa da pessoa para gerir a válvula. Todo o contacto físico com a válvula fica assim dispensado.

Cada válvula tem um identificador único o que também permite fazer a gestão de forma mais individualizada

Luís Lima explicou ainda que não foi usado um sistema machine to machine (M2M) devido aos grandes consumos energéticos que implica. A válvula inteligente desenvolvida no ISEP tem este elemento em conta, já que foi trabalhado um sistema energético de grande eficiência.

Este foi aliás um dos grandes desafios no desenvolvimento do projeto. “A identificação de componentes de baixo consumo e o armazenamento de energia por largos períodos de tempo foram os maiores desafios”, confessa Luís Lima.

O professor assistente do departamento de Engenharia Eletrotécnica do ISEP destaca também o facto de este ser um projeto único em Portugal no que diz respeito à aplicação em válvulas de água ligadas ao consumo, vendo ainda um grande potencial de exportação para a tecnologia

O projeto desenvolvido pelo ISEP já está a ser produzido por uma empresa da Covilhã, estando prontas 300 unidades para testes. Está também garantida a produção de 10 mil válvulas inteligentes para a INDAQUA, que além de agilizar as suas atividades, também deverá conseguir reduzir os custos operacionais.



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