Fundação Côa usa tecnologias “inovadoras” para réplicas da arte rupestre

A Fundação Côa Parque está a replicar, através de técnicas digitais “inovadoras” em 3D, peças da arte rupestre que foram encontradas em sítios arqueológicos, convidando os visitantes a assistir a este processo, em tempo de aniversário do Parque Arqueológico.

Segundo os responsáveis, este processo de digitalização tridimensional permite partir para outro patamar de investigação, que até aqui não era possível no Parque Arqueológico do Vale do Côa (PAVC), que ontem assinalou o seu 26.º aniversário.

“Até agora não era possível fazer mais investigação, porque não havia o detalhe na análise que este processo permite. Outras das vantagens é que as peças puderam circular por exposições por todo o mundo, sem ser necessário levar o original”, vincou Miguel Almeida.

Este processo está incluído no projeto “Kassandra@Côa” que é da responsabilidade da Fundação Côa Parque e conta com a colaboração da várias entidades académicas como o Instituto Politécnico da Guarda, Universidade de Coimbra, Junta de Castela e Leão e uma empresa privada de arqueologia, financiado pela Fundação ‘ La Caixa’.

“Esta réplica, no caso das placas, ajuda em situações em que são solicitadas peças ao PAVC, e podemos responder com estes modelos digitais precisos. Numa exposição, por vezes é mais divertido ter um objeto que pode virar ou mover digitalmente, do que ver uma peça estática num expositor”, concretizou.

Outros dos exemplos dados, é que já foram solicitadas peças para o Extremo Oriente e, em vez de se enviar uma peça original que tem custos com transporte e seguros, podem enviar-se réplicas fiéis, digitais em 3D.

Para já foram digitalizadas cerca de 30 peças que estão expostas em Lisboa, no Museu de Arte Popular, que depois seguem para o Museu Nacional de Arqueologia de Espanha.

Este projeto implica a digitalização sistemática dos três sítios visitáveis da arte rupestre do PAVC, que são a Penascosa, Ribeira de Piscos e Canada do Inferno, a que se junta o sítio do Fariseu, de momento em prospeção e apenas visível através de canoa.

“Como se trata de documentação para memória futura, começamos pelos sítios que apresentam maior pressão ao risco de degradação”, frisou.

Segundo a presidente da Fundação Côa Parque, Aida Carvalho, neste período de aniversário os visitantes do PAVC e do Museu são convidados a vir observar diretamente estes trabalhos e mesmo a interpelar os investigadores acerca das tarefas em curso e sua relevância para o estudo da arte paleolítica do Vale do Côa e dos seus autores.

“No quadro de uma estratégia de abertura da investigação científica à comunidade, produzida na Fundação Côa Parque, e de aceleração da sua ampla divulgação, estes trabalhos decorrerão nos próximos dias, sendo executados nas próprias salas do Museu ou na sua reserva, excecionalmente aberta ao público durante estes dias”, revelou Aida Carvalho.

Outro dos objetivos dos investigadores é associar o projeto Kassandra@Côa a um sistema de videovigilância, “em tempo real e sem fios”, para que a monitorização dos sítios arqueológicos seja feita “de forma contínua e em tempo real” a partir do Museu do Côa.

Aida Carvalho adiantou ainda que o PAVC recebeu, ao longo dos seus 26 anos de existência, 336.545 visitantes até dezembro de 2021, provenientes um pouco de todo o mundo.

“O ano de referência turística é o de 2019, que foi completo. Comparado o período homólogo de 2019 com 2022, o crescimento em número de visitantes é de 22%”, contabilizou.

O Parque Arqueológico do Vale do Côa foi criado em agosto de 1996. A arte do Côa foi classificada como Monumento Nacional em 1997 e, em 1998, como Património Mundial pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).

Como uma imensa galeria ao ar livre, o Vale do Côa apresenta mais de 1.200 rochas, distribuídas por 20 mil hectares de terreno com manifestações rupestres, sendo predominantes as gravuras paleolíticas, executadas há mais de 25.000 anos.


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