Fornos de Algodres cumpre com obrigações apesar da “rutura financeira”

O presidente da Câmara Municipal de Fornos de Algodres disse hoje que o município cumpre com as obrigações financeiras, apesar de o relatório do Conselho de Finanças Públicas continuar a colocá-lo em situação de “rutura financeira”.

“Em termos financeiros, a Câmara Municipal, neste momento, paga regularmente aos seus fornecedores e funcionários. Não há problemas com pagamentos a terceiros. As obrigações são todas cumpridas”, disse hoje Manuel Fonseca à agência Lusa.

De acordo com o relatório sobre a “Evolução Orçamental da Administração Local 2019”, divulgado hoje pelo Conselho de Finanças Públicas (CFP) com base em dados ainda provisórios, Cartaxo, Fornos de Algodres e Vila Real de Santo António mantiveram a situação de “rutura financeira” em que já se encontravam no ano anterior, tendo o município do Nordeste saído desta classificação na sequência da melhoria do seu rácio de endividamento.

Segundo o organismo presidido por Nazaré Costa Cabral, estes quatro municípios encontram-se ao abrigo de Programas de Ajustamento Municipais (PAM) no âmbito do recurso ao Fundo de Apoio Municipal (FAM), tendo todos registado diminuições do rácio da dívida total em 2019.

No total, a dívida total dos municípios – financeira e não financeira – considerada para efeitos do limite legal diminuiu em 470 milhões de euros em 2019, para 3,75 mil milhões de euros.

O presidente da Câmara Municipal de Fornos de Algodres referiu à Lusa que a posição ocupada pelo município não é surpresa, dado que o plano de reestruturação da dívida, através do FAM, tem o prazo de 35 anos e “nos próximos 30 anos a situação vai-se manter”.

“Se o concelho tivesse outro tipo de recursos, nomeadamente poder aumentar as receitas, [o valor da dívida] podia ser atenuado. Neste momento, as receitas estão maximizadas e o município tem que viver com o que tem”, enfatizou.

O município de Fornos de Algodres, no distrito da Guarda, tem um orçamento anual de seis milhões de euros e “custos fixos”, referindo o seu presidente que, no final do ano, “não é possível libertar mais algum dinheiro para amortizar a dívida”.

“Não há descalabro nenhum” com as finanças municipais, garante Manuel Fonseca, explicando que a dívida que existe (no valor atual de 26,8 milhões de euros) é anterior a 2013, quando iniciou funções de líder do executivo e, de então para cá, “não aumentou”.

O responsável disse ainda que a autarquia mantém “as necessidades básicas” do concelho, continuando, no entanto, impossibilitada de fazer grandes investimentos.

“No princípio [o relatório do Conselho de Finanças Públicas] criava algum desconforto mas, neste momento não. Os dados de 2013 são os de 2020. Nós negociámos com o FAM em 2016 e vamos pagar o empréstimo em 35 anos”, rematou.

Devido à pandemia causada pela covid-19, o FAM permite que o município de Fornos de Algodres pague apenas os juros do empréstimo, mas o executivo ainda não decidiu se vai usar essa prorrogativa.

Três municípios em rutura financeira entre 21 com dívida acima do limite em 2019

Três municípios estavam em 2019 em “rutura financeira”, entre os 21 com dívida acima do limite, tendo a dívida total municipal diminuído 470 milhões de euros face a 2018, para 3,75 mil milhões, segundo o Conselho de Finanças Públicas.

De acordo com o relatório sobre a “Evolução Orçamental da Administração Local 2019”, divulgado hoje pelo Conselho de Finanças Públicas (CFP) com base em dados ainda provisórios, Cartaxo, Fornos de Algodres e Vila Real de Santo António mantiveram a situação de “rutura financeira” em que já se encontravam no ano anterior, tendo o município do Nordeste saído desta classificação na sequência da melhoria do seu rácio de endividamento.

Segundo o organismo presidido por Nazaré Costa Cabral, estes quatro municípios encontram-se ao abrigo de Programas de Ajustamento Municipais (PAM) no âmbito do recurso ao Fundo de Apoio Municipal (FAM), tendo todos registado diminuições do rácio da dívida total em 2019.

No caso do município do Nordeste, nota o CFP, o rácio da dívida no final de 2019 “é próximo, mas já não superior, a 300%”, embora os dados disponíveis tenham ainda caráter provisório.

No total, a dívida total dos municípios – financeira e não financeira – considerada para efeitos do limite legal diminuiu em 470 milhões de euros em 2019, para 3,75 mil milhões de euros.

Com base apenas neste indicador, 21 dos 308 municípios (menos de 10%) estavam acima do limite de endividamento no final de 2019 (menos três do que em 2018), dos quais 13 se encontram em processo de recuperação financeira no âmbito do FAM (Alandroal, Alfândega da Fé, Aveiro, Cartaxo, Fornos de Algodres, Fundão, Nazaré, Nordeste, Paços de Ferreira, Portimão, Vila Franca do Campo, Vila Nova de Poiares e Vila Real de Santo António).

Quanto aos restantes oitos municípios (Celorico da Beira, Évora, Reguengos de Monsaraz, Tabuaço, Seia, Caminha, Freixo de Espada à Cinta e Lamego), o Regime Financeiro das Autarquias Locais e Entidades Intermunicipais (RFALEI) determina a adesão obrigatória à figura do saneamento financeiro.

Apesar desta melhoria global, refere o Conselho das Finanças Públicas, 38 municípios terão registado um aumento da dívida total municipal, na ordem dos 45 milhões de euros, “contribuindo para um agravamento da sua situação financeira”.

Ainda assim, o acréscimo de dívida nesses municípios foi “mais do que anulado” pelo decréscimo de 515 milhões de euros da dívida observado na maioria dos municípios.

Segundo nota o CFP, e “à semelhança do que vem ocorrendo desde 2014”, o limite para 2019 da dívida total dos municípios foi superior em 415 milhões de euros ao estabelecido para 2018, em virtude da receita considerada no cálculo daquele limite ter aumentado (média da receita corrente cobrada líquida nos três exercícios anteriores), o que também contribui para a descida do rácio da dívida total (por efeito denominador).

“No entanto – refere – mais de três quartos da diminuição do rácio da dívida total em 2019 (50%, menos 9,0 pontos percentuais do que em 2018) é explicada pela redução do ‘stock’ da dívida”.

A redução da dívida municipal no ano passado foi transversal a todos os escalões, mesmo no caso dos municípios mais endividados, sendo que, dos 23 municípios que excediam o limite da dívida total no início do ano, dois (Peso da Régua e Santa Comba Dão) terão passado a respeitar aquele limite.

Por outro lado, dos municípios com endividamento acima do limite da dívida total, apenas três (Caminha, Fundão e Tabuaço) não terão observado qualquer melhoria do respetivo rácio (sendo “mais expressivo” o caso do Fundão, devido a um maior crescimento do ‘stock’ da dívida em 2019).

O CFP refere ainda que a evolução favorável da dívida total em 2019 teve como consequência um menor número de municípios com recurso a mecanismos de recuperação financeira ou de saneamento financeiro.

Para além dos já referidos casos dos municípios do Cartaxo, Fornos de Algodres, Vila Real de Santo António e Nordeste, que se encontram ao abrigo de Programas de Ajustamento Municipais (PAM), o Conselho aponta o caso de Vila Nova de Poiares, também abrangido por um PAM, e que registou igualmente uma redução do respetivo rácio (de 229% para 216%).

Já o município de Santa Comba Dão, em processo de saneamento financeiro,” terá em 2019 conseguido situar-se abaixo do limite legal calculado no final do ano”, tal como o município de Peso da Régua, que “terá passado a cumprir o limite legal de endividamento em 2019”.

Globalmente, no final do ano passado, mais de quatro quintos dos municípios portugueses encontravam-se em situação de equilíbrio financeiro na ótica do RFALEI.



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