Centro da Cultura Judaica de Trancoso visitado por 25 mil pessoas em dois anos

O Centro de Interpretação da Cultura Judaica Isaac Cardoso, criado para captar visitantes para Trancoso e para divulgar o legado judaico local, já foi visitado por cerca de 25 mil pessoas, disse à Lusa fonte autárquica.

O equipamento, que é dedicado a Isaac Cardoso, médico judeu que nasceu no início do século XVII naquela localidade, custou 1,1 milhões de euros e abriu as portas no dia 20 de outubro de 2012 por iniciativa da câmara municipal.

O centro, que dá destaque à antiga comunidade judaica de Trancoso, tem uma sala de exposições, um memorial das vítimas da Inquisição e uma pequena sinagoga para o culto dos visitantes judeus (denominada Beit Mayim Hayim – Casa das Águas Vivas).

Segundo o presidente da autarquia, Amílcar Salvador, o espaço construído na antiga Judiaria regista, desde a abertura, uma afluência que “ronda os 25 mil judeus” oriundos de vários países.

“É sempre importante para o comércio de Trancoso a vinda de todos eles”, disse o autarca à agência Lusa, referindo que o seu concelho tem um património histórico “invejável” e que, em termos de turismo religioso, o centro Isaac Cardoso é “extremamente importante”.

“São, de facto, muitos os turistas que vêm a Trancoso, para fazerem as celebrações, para visitarem, para terem conhecimento dos judeus importantes condenados [pela Inquisição]”, declarou.

As visitas ao espaço são marcadas previamente e são orientadas por José Domingos, jornalista, investigador e historiador que usa o nome judaico de José Levy Domingos.

O mentor do projeto e atual coordenador do centro Isaac Cardoso contou à Lusa que a ideia surgiu após concluir que Trancoso teve uma comunidade judaica próspera e “necessitava de um memorial que traduzisse essa presença”.

Com a abertura do espaço cultural, a cidade passou a receber muitos visitantes judeus e o responsável estima que este ano possa ocorrer “um aumento da ordem dos 20 a 30%” em relação ao ano anterior.

José Domingos deseja que o aumento de turistas seja “correspondido pela parte comercial e também pela iniciativa privada, porque o judeu quando vem a uma terra gosta de ver as suas origens ou as suas raízes, gosta de saber que tem um local de referência onde possa orar”.

Para além disso, prosseguiu o coordenador do Centro de Interpretação da Cultura Judaica, também quer “usufruir não só das marcas e dos sinais judaicos, mas também do património” associado.

A cidade de Trancoso “tem um conjunto de marcas e sinais e inscrições atribuídas aos cristãos novos e aos judeus convertidos à força, que no seu conjunto representam um valioso património que necessita de ser potencializado e com impacto ao nível da economia local”, observou.

Na opinião de José Domingos, aquela cidade tem “um grande potencial para ser um centro cultural de vivência judaica muito forte”, não só em Portugal mas também ao nível ibérico e europeu.




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