Funileiro que serviu pastores da Serra da Estrela recorda tempos de muita procura

António Ferreira, de 75 anos, mais conhecido por “António funileiro”, reside em Folgosinho, no concelho de Gouveia, Guarda, onde exerceu uma atividade que, no século passado, teve uma forte ligação ao meio rural e à pastorícia.

O reformado orgulha-se de entre os anos de 1964 e 1967 ter fabricado e reparado muitos utensílios utilizados pelos pastores e pelas queijeiras do concelho de Gouveia, sobretudo nos Casais de Folgosinho, localizados na bacia superior do rio Mondego, nas proximidades da freguesia com o mesmo nome.

“Fui funileiro desde pequenino. O meu pai tinha uma oficina de funilaria em Fornos de Algodres. Éramos cinco irmãos (três rapazes e duas raparigas) e nós, os rapazes, enveredámos pela mesma profissão de funileiro. Eu, quando fiz a 4.ª classe, comecei logo a trabalhar na oficina e a ganhar dinheiro. Depois, casei em 1964, com 18 anos, e vim viver aqui para Folgosinho, onde montei uma oficina”, contou à agência Lusa.rio

Quando foi residir para Folgosinho, António Ferreira passou a ser funileiro itinerante uma vez por ano, entre maio e junho, quando se deslocava para os Casais de Folgosinho, para fabricar e reparar utensílios em metal que, naquela época, eram utilizados pelos muitos pastores que ali permaneciam com os rebanhos das ovelhas.

“Chegava a andar por lá aos quinze dias sem vir a Folgosinho. Eu e a minha mulher, que me acompanhava sempre. Levava muita chapa, a maquineta [a máquina fieira, usada para fazer os vincos nas peças de metal], uma bigorna e a ferramenta em cima da burra, que alugava por 50 escudos [0,25 cêntimos de euro] por semana. Dormíamos nos casais [quintas] da Serra da Estrela onde andavam os pastores e, no final, depois do trabalho feito, regressávamos a casa. Não levávamos alimento, eram eles que nos davam a comida”, contou.

António Ferreira, de 75 anos, mais conhecido por “António funileiro”, reside em Folgosinho, no concelho de Gouveia, Guarda, onde exerceu uma atividade que, no século passado, teve uma forte ligação ao meio rural e à pastorícia.

O reformado orgulha-se de entre os anos de 1964 e 1967 ter fabricado e reparado muitos utensílios utilizados pelos pastores e pelas queijeiras do concelho de Gouveia, sobretudo nos Casais de Folgosinho, localizados na bacia superior do rio Mondego, nas proximidades da freguesia com o mesmo nome.

“Fui funileiro desde pequenino. O meu pai tinha uma oficina de funilaria em Fornos de Algodres. Éramos cinco irmãos (três rapazes e duas raparigas) e nós, os rapazes, enveredámos pela mesma profissão de funileiro. Eu, quando fiz a 4.ª classe, comecei logo a trabalhar na oficina e a ganhar dinheiro. Depois, casei em 1964, com 18 anos, e vim viver aqui para Folgosinho, onde montei uma oficina”, contou à agência Lusa.

Quando foi residir para Folgosinho, António Ferreira passou a ser funileiro itinerante uma vez por ano, entre maio e junho, quando se deslocava para os Casais de Folgosinho, para fabricar e reparar utensílios em metal que, naquela época, eram utilizados pelos muitos pastores que ali permaneciam com os rebanhos das ovelhas.

“Chegava a andar por lá aos quinze dias sem vir a Folgosinho. Eu e a minha mulher, que me acompanhava sempre. Levava muita chapa, a maquineta [a máquina fieira, usada para fazer os vincos nas peças de metal], uma bigorna e a ferramenta em cima da burra, que alugava por 50 escudos [0,25 cêntimos de euro] por semana. Dormíamos nos casais [quintas] da Serra da Estrela onde andavam os pastores e, no final, depois do trabalho feito, regressávamos a casa. Não levávamos alimento, eram eles que nos davam a comida”, contou.

Durante a presença junto dos pastores, o funileiro reparava objetos de metal estragados e fazia novos, nomeadamente ferradas (recipientes próprios para a ordenha dos animais) e ferrados (para os pastores transportarem leite em menor quantidade para consumo de casa), panelas próprias para o acondicionamento do leite, francelas e cinchos para a confeção do queijo, caldeiros, entre outros artigos.

“Como havia muita gente a fazer queijo, a procura das francelas e dos cinchos era grande. As ferradas também tinham grande saída. E alguns pastores tinham mais do que um cincho. Os cinchos eram uma cinta de chapa para fazer o queijo, que apertavam a massa consoante se queria. Havia o cincho n.º1, o n.º2 e o n.º3. O cincho mais pequeno custava uns 10 escudos [cinco cêntimos de euro]. O preço era conforme a medida. O mais pequeno era mais barato e o maior era mais caro”, recordou.

António Ferreira não consegue contabilizar quantos artigos fez nessa época de muito trabalho nos Casais de Folgosinho, embora afiance que “foram muitas” as peças de chapa que saíram das suas mãos.

“Por um caldeiro levava 20 ou 25 escudos [10 e 12,5 cêntimos de euro, respetivamente] e já era muito bom. Também fazia lanternas vidradas e com duas proteções de chapa e com depósito para o petróleo, que eram transportadas na mão, e candeias para serem utilizadas no interior das casas”, acrescentou.

O funileiro de Folgosinho foi para a tropa em 1967, tendo sido mobilizado para Moçambique, de onde regressou em 1974.

“Quando sai da tropa fiquei lá, em Moçambique. Mandei ir a mulher e nasceram lá os dois filhos. Regressei a Folgosinho em 1974 e retomei a atividade da funilaria. Entretanto, em 1975, houve um concurso para os Serviços Florestais, para motorista de pesados. Eu concorri e ganhei. Fui motorista até me reformar, há 24 anos”, prosseguiu.

Apesar da nova atividade profissional, António Ferreira nunca deixou a arte da funilaria, que exercia nos tempos livres, pois “tinha quatro filhos para criar e tinha que trabalhar”.

No entanto, com a concorrência dos artigos em plástico para usos domésticos, o funileiro virou-se para o fabrico de caleiras para os telhados e continuou a fazer alguns utensílios domésticos por encomenda.

“Os plásticos vieram acabar connosco [com os funileiros]. Na reta final da minha atividade já só fazia caleiras. Antes de haver plásticos, fazia cântaros de 10 e de 12 litros para a água”, apontou.

O reformado recorda, agora, outros tempos, quando os Casais de Folgosinho “tinham gente e vida por causa da pastorícia”: “Naquele tempo, quando eu por lá andava, de casa em casa, não havia nenhum casal desabitado. Hoje, estão meia dúzia habitados”.

António Ferreira que ainda trabalha na arte, apenas para “desenrascar um amigo”, tem “muitas saudades desses tempos”, quando “havia mais solidariedade e camaradagem e era tudo uma família. Agora, não se vê ninguém na serra [da Estrela] e ninguém manda arranjar nada”.

Apesar das mudanças, o antigo funileiro garante que o setor do queijo “continua a ser muito importante” para a Serra da Estrela e é “um dos grandes motores do concelho de Gouveia e da região”.


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