“Os Verdes” questionam Governo sobre projeto espanhol de urânio junto a Almeida

O Partido Ecologista “Os Verdes” anunciou hoje que questionou o Governo sobre os impactos do projeto espanhol de exploração de urânio junto à fronteira portuguesa, na zona de Almeida, no distrito da Guarda.

A pergunta endereçada ao Ministério do Ambiente foi entregue na Assembleia da República pelo deputado José Luís Ferreira, depois de uma delegação daquele partido ter reunido nas Cortes de Castela e Leão, em Valladolid, com o deputado José Sarrión, eleito pela Esquerda Unida, e com a Plataforma Stop Urânio.

“Esta reunião teve como objetivo abordar os impactos ambientais e de saúde pública transfronteiriços que poderão provir da instalação de uma unidade de processamento de urânio em Retortillo-Santidad (Salamanca) e da eventual abertura de minas de urânio, a céu aberto, a escassos quilómetros da fronteira portuguesa (concelho de Almeida)”, refere o deputado.

No documento entregue na Assembleia da República, José Luís Ferreira aponta ainda que a extração e a exploração mineira de urânio “é uma atividade de elevado risco dado o potencial radioativo deste minério”.

“Uma atividade com forte impacto ambiental e na saúde pública, com consequências que perduram por demasiados anos”, alega.

Face aos impactos da extração e da exploração de urânio, “Os Verdes” consideram “preocupante o licenciamento prévio pelo Governo Espanhol à empresa Berkeley Minera España SA de uma unidade de reprocessamento de urânio e de um depósito de resíduos radioativos procedentes dessa mesma unidade em Retortillo-Santidad (Salamanca), localizado a cerca de 50 quilómetros da fronteira portuguesa, ficando, com esta autorização, completo este ciclo de exploração, reprocessamento e cemitério de resíduos radioativos”.

O avançar do processo reforça a preocupação do partido pela intenção daquela empresa “abrir minas de urânio, ao que tudo indica, a céu aberto, junto à fronteira (a cerca de 08 quilómetros) em La Alameda de Gardon, cujo mineral se processará e enriquecerá em Retortillo”.

No requerimento é explicado que o complexo mineiro, “muito contestado em Espanha, estando localizado na bacia hidrográfica do rio Douro, acarreta grande preocupação pelos impactos que poderão advir para os lençóis freáticos e contaminação das águas superficiais com materiais radioativos e com químicos utilizados na lixiviação pondo em causa o equilíbrio ecológico e a saúde pública a jusante”.

“Os Verdes” perguntam ao Governo se “obteve alguma informação do Governo de Espanha, no que concerne ao licenciamento prévio de uma unidade de reprocessamento de urânio e de um depósito de resíduos radioativos” e se, através do Ministério do Ambiente, “participou e/ou pronunciou-se em alguma Avaliação de Impacto Ambiental referente ao complexo de exploração de urânio na zona fronteiriça de Salamanca”.

O partido também quer saber se, “face ao avançar acelerado deste processo de mineração no país vizinho, estão salvaguardados os interesses das populações portuguesas, nomeadamente de Almeida, e acautelados os valores naturais e ambientais” do território nacional.



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