Ministro da Cultura defende videovigilância na proteção do Vale do Côa

O ministro da Cultura afirmou ontem que a proteção das gravuras do Parque Arqueológico do Vale do Côa deverá passar pela instalação de um sistema de videovigilância e por um maior envolvimento da comunidade local.

O ministro Luís Filipe Castro Mendes e o secretário de Estado da Cultura, Miguel Honrado, falavam aos deputados numa audição pedida pelo PCP por causa de um ato de vandalismo em abril passado contra uma gravura do Parque Arqueológico do Vale do Côa (PAVC).

Duas pessoas foram identificadas e constituídas arguidas, depois de terem confessado a autoria dos desenhos que danificaram o Painel Central de Arte Rupestre da Ribeira de Piscos, pertencente ao PAVC.

Vulgarmente conhecido pela representação do ‘Homem de Piscos’, feito há cerca de 15 mil anos, o painel com as gravuras está classificado como monumento nacional e como património mundial pela UNESCO.

Castro Mendes falou na “necessidade de a comunidade sentir como seu aquele património, sentir que é dela, que o deve defender”.

“Há sempre loucos. Os meios de vigilância mais eficazes não são com um guarda em cada gravura, é arranjar um sistema de videovigilância. Uma maior abertura do parque à comunidade local e a visitantes só vai contribuir para a defesa das gravuras”, afirmou o governante.

O ministro fez um elogio à “capacidade de resistência e resiliência dos trabalhadores nestes ‘anos de chumbo’ na capacidade de manter aquele património” e referiu que a tutela está “a trabalhar numa nova dinâmica” para aumentar o turismo, valorizar a comunidade local, captar mecenato e criar “cooperação científica transfronteiriça”.

Essa dinâmica será pedida à nova administração da Fundação Côa Parque que está ainda por anunciar, embora o ministro tenha dito que entrará em funções no próximo mês “com um reforço de investimento”, uma vez que o decreto-lei que altera os estatutos da fundação já foi promulgado pelo Presidente da República.

Na audiência, Ana Mesquita, deputada do PCP, pediu a integração imediata de vigilantes nos núcleos visitáveis do parque arqueológico e alertou para a situação de gestão corrente, porque a nova administração ainda não entrou em funções.

O ministro da Cultura referiu ainda que, com a saída de António Martinho Baptista da direção do Parque Arqueológico do Coa, por ter atingido a idade de reforma, a nova administração abrirá um concurso público internacional para escolher um novo diretor, “um lugar chave e importantíssimo”.

Até à nomeação do novo diretor, o cargo será ocupado interinamente por uma pessoa que, segundo o ministro, já está escolhida, mas cujo nome não foi divulgado, dizendo apenas tratar-se de alguém que “está lá a trabalhar e conhece o meio”.

O Parque Arqueológico e o Museu são geridos pela Fundação Côa Parque, criada em 2011 e cujos estatutos foram alterados em abril para passar a incluir, entre os representantes, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior.

O conselho consultivo da fundação passará a integrar, pela primeira vez, representantes da Associação dos Arqueólogos Portugueses.




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