Governo tem mecanismos de apoio para prejuízos na produção de vinho em Pinhel

O Governo esclareceu ontem que dispõe de mecanismos de apoio para os prejuízos na produção de vinho no concelho de Pinhel.

“O Ministério da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural está a acompanhar esta situação, para a qual dispõe já de mecanismos de apoio”, adianta uma nota do gabinete do ministro da Agricultura.

O deputado socialista Santinho Pacheco questionou o Governo sobre os prejuízos na produção de vinho na zona de Pinhel, no distrito da Guarda, que este ano tem uma quebra de produção avaliada em 50%.

Numa pergunta dirigida ao Ministério da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural, o deputado eleito pelo círculo eleitoral da Guarda questiona se vai o Governo “criar/ativar linhas de apoio ao setor vitivinícola de Pinhel, desenvolvendo todos os procedimentos no sentido de acionar o Fundo de Calamidades para a área de influência da sua Adega Cooperativa como apoio aos respetivos associados”.

Na nota, aquele Ministério esclarece que “financia um sistema de seguros de colheitas agrícolas, no qual se incluem os seguros vitícolas de colheitas (subsidiados a 80% no caso de seguros a título coletivo e a 75% de seguros a título individual), com um montante anual de 3,5 milhões de euros”.

“Dos 17.469 viticultores nacionais que contrataram seguro vitícola de colheitas, 12.685 contrataram a cobertura do risco do escaldão, o que corresponde a uma taxa de adesão à cobertura do escaldão de 73%”, acrescenta.

O documento refere ainda que os seguros de colheitas “estão disponíveis para todos os agricultores que a eles pretendam recorrer e são cofinanciados pelo Estado num montante anual global de 11,5 milhões de euros”.

“O Fundo de Calamidades foi extinto pelo anterior Executivo, sendo que, enquanto vigorou, apenas era aplicável a riscos não cobertos pelo sistema de seguros, o que, manifestamente, não é o caso”, conclui.

Segundo o deputado Santinho Pacheco, “2018 foi um ano atípico na região de Pinhel e na área de influência da sua Adega Cooperativa, em todo o distrito da Guarda, com constantes anomalias climatéricas que tiveram consequências desastrosas ao nível da viticultura”.

A primavera foi fria e chuvosa, e o excesso de humidade contribuiu “para o desenvolvimento de vários focos de míldio, resistente aos tratamentos com os produtos fitossanitários mais recomendados”, refere.

Acrescenta que “quando a muito custo e com a dedicação dos agricultores se conseguiu minimizar esta ameaça”, o verão “trouxe consigo uma vaga de calor que varreu todo o país, tendo em Pinhel chegado a registar-se temperaturas de 45 graus”.

O deputado relata no documento que as situações adversas e anómalas “criaram uma conjuntura muito diferente do normal com elevados prejuízos, devendo a produção [de vinho] registar uma quebra a rondar os 50%”.

“Dos 16 milhões de quilos produzidos em 2016, as previsões para 2018 não ultrapassam os oito milhões de quilos, uma quebra com uma enorme gravidade para uma região em que o vinho é o principal rendimento da lavoura local”, vaticina o socialista.




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