Covid-19: Rui Ventura reage com perplexidade a dados sobre casos no concelho de Pinhel

O presidente da Câmara Municipal de Pinhel reagiu este domingo com “perplexidade” aos dados apresentados pela Direção-Geral da Saúde (DGS) relativamente à situação epidemiológica da covid-19 naquele concelho do distrito da Guarda.

Segundo o autarca Rui Ventura, na sexta-feira, a Unidade Local de Saúde da Guarda remeteu à autarquia “o último relatório diário que apresentava, relativamente ao concelho de Pinhel, 24 casos positivos”, quando, no relatório disponibilizado este domingo pela DGS o município “apresenta 09 casos positivos”.

“Como se justifica este desfasamento?”, questiona o presidente do município de Pinhel em comunicado enviado à agência Lusa.

O autarca refere que o município “conhece a identidade dos 24 pacientes que estavam registados no último relatório” e que acompanha diariamente a evolução da situação clínica dessas pessoas.

Na nota, Rui Ventura diz que “não é admissível este desfasamento e não é admissível que não continue a ser fornecida ao município informação detalhada sobre a situação epidemiológica do concelho”.

“Como pode o município de Pinhel continuar a acompanhar a situação clínica dos seus munícipes e a Comissão Municipal de Proteção Civil exercer as suas competências?”, questiona o líder do executivo.

Segundo o responsável, “informação detalhada, rigorosa e credível à escala municipal não pode deixar de ser fornecida”, por isso, “não se resigna e não se conforma perante os dados fornecidos, não descartando o recurso a todos os meios que estejam ao seu alcance para pôr fim” à situação.

“Os pinhelenses têm o direito a ter acesso à informação relevante e verdadeira e não apenas a dados cujo rigor é totalmente discutível. Todos têm direito à informação porque é a saúde de todos que está em causa”, remata.

No sábado, a ministra da Saúde negou qualquer “proibição de partilha de informação” a nível local ou regional, depois de a Câmara Municipal de Espinho ter na sexta-feira denunciado orientações às autoridades regionais para não divulgarem informação estatística local.

“Quero esclarecer inequivocamente que não há qualquer proibição de partilha de informação. Há, sim, um apelo claro a todas as entidades que integram o Ministério da Saúde, em especial as autoridades locais e regionais de saúde, se concentram no envio de informação atempada e consistente para o nível nacional. Boletins parcelares podem ser causadores de análises fragmentadas. Acresce, pela dimensão de alguns dados, a possibilidade de violação do segredo estatístico”, disse Marta Temido.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já provocou mais de 109 mil mortos e infetou quase 1,8 milhões de pessoas em 193 países e territórios.

Em Portugal, segundo o balanço feito este domingo pela Direção-Geral da Saúde, registam-se 504 mortos, mais 34 do que no sábado (+7,2%), e 16.585 casos de infeção confirmados, o que representa um aumento de 598 em relação a sexta-feira (+3,7%).

Portugal, onde os primeiros casos confirmados foram registados no dia 02 de março, encontra-se em estado de emergência desde de 19 de março e até ao final do dia 17 de abril.



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