Centro de Cultura dedicado a Vergílio Ferreira vai surgir em Melo (Gouveia)

O edifício da “Vila Josephine”, situado na aldeia de Melo, no concelho de Gouveia, vai reabrir as portas como centro de cultura, com a designação “Casa da Palavra – Vergílio Ferreira”, anunciou fonte autárquica.

O projeto de transformação da casa “Vila Josephine”, onde o escritor Vergílio Ferreira costumava ficar quando se deslocava à sua aldeia natal, foi hoje apresentado pela Câmara de Gouveia na cerimónia de anúncio do vencedor do Prémio Literário Vergílio Ferreira 2018, atribuído à obra “Que possível ensaio sobre a verdade em Vergílio Ferreira”, de Maria do Rosário Cristóvão.

O presidente da autarquia, Luís Tadeu, referiu à agência Lusa que o município adquiriu o edifício, também conhecido por “Casa Amarela”, por 75 mil euros.

O imóvel sofrerá obras de adaptação às novas funções culturais, vaticinando o responsável que possa reabrir como “Casa da Palavra – Vergílio Ferreira” durante o ano de 2020.

Segundo o autarca, o edifício acolherá os visitantes de Melo e funcionará também com a vertente de residência artística para receber criadores nacionais e estrangeiros.

“Este equipamento, além de ser mais um espaço de homenagem a Vergílio Ferreira é, acima de tudo, um espaço que se pretende que seja um espaço de cultura, um espaço que tem uma parte de visitação para que as pessoas possam, de alguma forma, também, apreender um pouco aquilo que seria a vivência do autor naquele espaço. E, depois, vai ter um espaço mais dinâmico, eventualmente, de vivência diária (…) que é a parte da residência artística”, declarou.

Luís Tadeu referiu que na residência artística a autarquia de Gouveia pretende receber “criadores de cultura, nas mais diversas áreas”, para que possam inspirar-se e criar “mais cultura”.

Com este projeto, que ainda não tem custos estimados, uma vez que está na fase inicial de “definição do conteúdo funcional”, o município pretende captar “mais visitantes” para Melo e para o concelho de Gouveia, disse.

Jorge Costa Lopes, investigador da obra de Vergílio Ferreira, referiu na apresentação do projeto da “Casa da Palavra – Vergílio Ferreira”, que o edifício “não conserva quaisquer documentos ou materiais” do escritor, mas está ligado ao romance “Para Sempre”.

Justificou a sua designação porque “a procura da palavra é uma constante” na obra de Vergílio Ferreira.

A “Vila Josephine”, que segundo o responsável será “o centro do Roteiro Literário Vergílio Ferreira”, inaugurado em 2016, estabelecerá “a ligação com os lugares da ‘aldeia eterna'” e permitirá ao visitante “criar outra leitura do imaginário Vergiliano”.

O equipamento, que ficará dotado com elementos multimédia, terá no rés-do-chão a receção e um espaço dedicado ao professor (sala de homenagem ao professor Vergílio Ferreira) e um auditório.

No primeiro andar funcionarão, entre outros, o Lugar da Aldeia, o Lugar dos Sabores e a Sala da Memória (referências ao escritor e aos familiares), enquanto para o segundo andar do edifício está projetada a residência artística e o Espaço Arte.

Vergílio Ferreira nasceu na aldeia de Melo, no concelho de Gouveia, distrito da Guarda, a 28 de janeiro de 1916, e morreu a 01 de março de 1996.




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