Câmara do Fundão distribui computadores e internet a alunos que não têm

Os dados revelaram que, dos 2.700 alunos de todos os níveis de ensino no concelho, 265 não têm computador em casa e 209 não têm acesso à internet.

A Câmara do Fundão vai distribuir computadores e pacotes de internet a alunos do concelho que não têm estes meios, medida que visa mitigar as consequências da covid-19, disse ontem o presidente Paulo Fernandes.

“É um programa que lançamos para que não haja nenhuma criança e jovem, a partir do primeiro ciclo, que não tenha acesso aos modelos de ensino que estão a ser adotados para responder ao enorme desafio da pandemia”, afirmou.

Segundo especificou, a medida tem como base um empréstimo, que poderá depois ser reavaliado, e abrangerá crianças a partir dos dez até aos 18 anos, ou seja, os estudantes que frequentam 2.º e 3.º ciclo de ensino, e o ensino secundário, e que não têm computador em casa e/ou internet.

A distribuição começa a ser feita a partir da próxima semana, de acordo com um levantamento das necessidades feito pelos agrupamentos de escola deste concelho do distrito de Castelo Branco.

Os dados revelaram que, dos 2.700 alunos de todos os níveis de ensino no concelho, 265 não têm computador em casa e 209 não têm acesso à internet.

Nesta primeira fase, o município fundanense optou por implementar o programa com os alunos a partir do segundo ciclo, pelo que serão distribuídos 176 computadores e dado acesso à internet em 134 casos.

O pacote da internet será por três meses, com 30 gigas por mês, capacidade que será depois avaliada.

Segundo Paulo Fernandes, existe ainda a possibilidade de este programa vir a abranger crianças dos escalões A e B, que neste momento ainda tenham internet, mas cujas famílias possam vir a ter de suspender esta despesa devido a uma eventual perda de rendimentos em virtude das consequências negativas (por exemplo desemprego) da covid-19.

O empréstimo de meios digitais também poderá vir a ser alargado ao primeiro ciclo, mas este projeto ainda vai ser melhor definido.

O investimento global do programa poderia atingir os cem mil euros, mas a Câmara consegue obter uma poupança porque vai usar os computadores que já tinha adquirido quando implementou o projeto da Academia de Código Júnior, que leva a programação aos alunos do concelho.

Ainda assim, a componente da internet implicará um investimento que pode rondar os 25 a 30 mil euros para os pacotes base, mas que poderá crescer caso se verifique a necessidade de aumentar a capacidade da internet.

O programa engloba ainda a criação de uma linha de apoio informático que se destina a ajudar as famílias a lidar com os novos meios, ultrapassando a eventual “iliteracia digital”.

“Queremos contribuir para que o princípio da universalidade do acesso ao ensino se cumpra, sem deixar ninguém para trás”, sublinhou Paulo Fernandes.

O autarca lembra que este é um “plano de contingência”, que tem como grande objetivo a “igualdade” de oportunidades e a equidade para os alunos no acesso à Educação e lança um desafio público a todas as empresas para que se associem a esta ação.

“Vamos pedir às empresas do nosso ‘cluster’ das tecnologias de informação que nos ajudem a percorrer este caminho, nomeadamente ao nível dos desafios técnicos e tecnológicos que se colocam, bem como a operacionalização logística necessária e à manutenção”, disse.

Mostrando-se convicto de que a resposta será positiva, Paulo Fernandes alarga ainda o desafio a todas as empresas ou a particulares que se queiram associar, nomeadamente através de ações de “apadrinhamento” de pacotes.




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