Aldeia Viçosa revive hoje o tradicional “Magusto da Velha”

A localidade de Aldeia Viçosa, na Guarda, vai reviver no dia a seguir ao Natal o tradicional “Magusto da Velha”, que remonta ao século XVII e inclui a oferta de vinho e de castanhas aos participantes.

Segundo o presidente da Junta de Freguesia de Aldeia Viçosa, Luís Prata, serão uma vez mais lançadas castanhas e rebuçados (destinados às crianças) do alto da torre da igreja.

Durante a iniciativa também haverá pão torrado embebido em azeite, vinho, cavaladas (que ocorrem quando as pessoas se baixam para apanharem as castanhas do chão e os mais novos saltam para cima das suas costas), madeiro de Natal, “muita animação” e teatro.

“Vai ser mais um ‘Magusto da Velha’ em grande, para mantermos a tradição, cumprirmos o testamento e rezarmos o Pai-Nosso pela alma da velha'”, disse Luís Prata. 

O “Magusto da Velha” tem origem numa herança feita em 1698 aos habitantes de Aldeia Viçosa, localidade situada no Vale do Mondego, no concelho da Guarda, por uma mulher abastada que ficou conhecida por “velha”, já que não se sabia o seu nome.

Segundo a tradição, a benemérita quis que os residentes comessem castanhas e bebessem vinho uma vez por ano e, em troca, rezassem um Pai-Nosso pela sua alma.

A herança é mencionada no “Livro de Usos e Costumes da Igreja do Lugar de Porco – Ano de 1698”, título que refere a antiga denominação de Aldeia Viçosa.

Ainda hoje, a Junta de Freguesia recebe uma renda anual perpétua de 15 cêntimos de euro.

Segundo o presidente da Junta, como é hábito, naquele dia a autarquia distribuirá 150 quilos de castanhas e oferecerá cerca de 25 litros de vinho aos presentes.

As atividades começam pelas 14h30 com a realização de uma missa pela alma da “velha” e do soldado António Martins, natural da terra, que morreu na 1.ª Guerra Mundial (1914-1918), seguindo-se o içar das castanhas para o cimo da torre da igreja e o lançamento para o meio da assistência.

O programa também inclui a dramatização, pelo grupo Hereditas (Guarda), de cenas da época medieval, como a atribuição da Carta de Foro à “Villa de Santa Maria de Porco”, em 1238, no reinado de Dom Sancho II, e o Testamento estabelecido pela “velha” com o povo.

O autarca Luís Prata referiu que a tradição atrai pessoas da região da Guarda e de outros pontos do país.

“Será, atrevo-me a dizer, o dia mais importante da freguesia de Aldeia Viçosa. E bem, porque recordamos o gesto que, em tempos de fome, alguém deu de comer ao povo. Portanto, é bom que se continue a assinalar esse gesto”, disse.

As atividades organizadas pela Junta de Freguesia de Aldeia Viçosa são apoiadas pela Câmara Municipal da Guarda.




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