Festival Contradança leva artes contemporâneas a três cidades da Beira Interior

O Festival Contradança vai levar a três cidades da Beira Interior, entre setembro e outubro, propostas de dança, teatro, performance e novo circo, numa programação que cruza espetáculos com criação, formação e reflexão.

“Este é um festival dedicado às manifestações artísticas mais contemporâneas, neste caso à dança, ao teatro, mas também ao novo circo, à performance, portanto, formas mais inovadoras das artes performativas”, afirmou o diretor artístico do festival, Rui Pires.

A 17.ª edição do Festival Contradança vai decorrer entre 03 de setembro e 24 de outubro, nas cidades da Guarda, Gouveia e Covilhã, assinalando os 20 anos desde a criação do projeto (apenas deixou de se realizar durante três anos), dedicado à divulgação das artes performativas contemporâneas no interior do país.

Terá lugar na Guarda de 03 a 09 de setembro, em Gouveia de 24 a 26 de setembro e na Covilhã de 22 a 24 de outubro.

Em declarações à Lusa, o diretor artístico do festival, Rui Pires, explicou que, além dos espetáculos, a programação inclui várias atividades paralelas, entre as quais um debate com três criadoras dedicado ao tema “De que se fala quando se fala de criação contemporânea”.

“Temos também umas jornadas académicas, em parceria com o Departamento de Letras da Universidade da Beira Interior (UBI), intituladas ‘Primeiro Ato – Do Subtexto ao Palco: Jornadas de Literatura e Artes Performativas’”, acrescentou.

Segundo Rui Pires, esta atividade pretende aproximar os estudantes universitários das artes performativas, através da análise dos processos de adaptação literária para o palco.

“Na edição deste ano, a escolha caiu sobre o espetáculo ‘Antígona’, uma criação do coletivo SillySeason, com uma versão contemporânea desta tragédia grega. Vai também um professor do Departamento de Letras falar de uma vertente mais académica, e depois os criadores do espetáculo vão falar sobre esta transposição do livro para o palco e para a atualidade”, disse o diretor artístico.

O festival promove também uma iniciativa de oferta de livros em colaboração com a Biblioteca da UBI, disponibilizando gratuitamente exemplares usados, de diferentes áreas do conhecimento.

“Há vários anos que a Biblioteca participa nas nossas iniciativas e oferece livros. São livros de várias áreas, desde filosofia às ciências, que colocamos à disposição do público durante os eventos”, referiu.

Está também previsto uma oficina de dança contemporânea, que arranca a 03 de setembro e culmina com a apresentação pública do trabalho desenvolvido pelos participantes.

Questionado sobre as novidades da edição de 2026, Rui Pires destacou que todos os espetáculos programados serão apresentados pela primeira vez na região.

Entre as propostas em destaque está “Souvenir”, de Tiago Cadete, um espetáculo inspirado nas experiências de emigração clandestina para França durante as décadas de 1960 e 1970.

“É um espetáculo quase autobiográfico, baseado nas vivências dos familiares do criador, e aborda uma realidade muito próxima de toda a raia portuguesa”, afirmou.

De acordo com Rui Pires, esta é uma temática particularmente relevante para a região.

“Serão poucas as famílias que não têm alguém que tenha emigrado para França nessas décadas. É uma memória muito presente e acredito que será um espetáculo que vai tocar muitas pessoas”, sustentou.

Organizado pela ASTA – Teatro e Outras Arte, este evento conta com o apoio dos municípios da Guarda, Gouveia e Covilhã e é financiado pela Direção-Geral das Artes.

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