Classificação da Unesco projetou internacionalmente Alto Douro Vinhateiro

O reconhecimento externo da excelência do Alto Douro Vinhateiro foi uma das principais conquistas da região, desde a sua classificação pela Unesco há 15 anos, destaca Ricardo Magalhães, vice-presidente da CCDR-N, entidade gestora daquele Património Mundial.

“Os principais ganhos foram o reconhecimento externo da excelência do Alto Douro Vinhateiro e a projeção internacional alcançada”, realça Ricardo Magalhães, vice-presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N) que entre 2007 e 2012 foi chefe de projeto da Estrutura de Missão do Douro, criada em 2006 para zelar pela classificação da região e integrada na comissão em 2014.

Para o responsável, “o Douro Património Mundial tem funcionado como uma aposta de marketing territorial bem conseguida, sobretudo nos mercados externos”, havendo “cada vez mais turistas estrangeiros a procurarem esta região vinhateira”.

Nos últimos 15 anos, e com a aposta na qualificação do turismo na região, surgiu “mais alojamento e restauração de qualidade”, além de “novas infraestruturas de apoio a visitantes e a oferta de programas de animação e culturais que juntam vários parceiros”, sublinha o também ex-secretário de Estado, em entrevista escrita à Lusa.

Paralelamente, a região assistiu a “ganhos muito significativos ao nível das infraestruturas”, com a construção do Túnel do Marão e da autoestrada transmontana, que representaram “passos de gigante, só possíveis pelo aproveitamento de fundos da União Europeia”

“Estão resolvidos constrangimentos graves de acessibilidades e de falta de capacidade de resposta aos turistas”, assinala Ricardo Magalhães, lembrando porém o ainda “longo caminho a percorrer”, desde logo para melhor aproveitar a navegabilidade do Douro.

Ainda que o turismo tenha aumentado na região, o responsável não acredita numa massificação do Douro enquanto destino turístico, já que tudo tem sido feito “no sentido de conquistar turistas e investidores estrangeiros com a clarividência necessária de um destino sustentável”.

“Estamos e estaremos numa paisagem classificada, intacta e frágil na sua génese, autêntica e genuína, que exige cuidados especiais de planeamento e gestão. Esta paisagem reflete uma relação singular do homem com a natureza. É coisa de génio e isso não será alterado”, frisa.

Depois da polémica em torno da barragem de Foz Tua, cuja construção chegou a ameaçar a classificação pela Unesco, Ricardo Magalhães acredita haver ainda no Douro “lugar para novos projetos” de grande dimensão, desde que “assegurem a autenticidade e equilíbrio do Alto Douro Vinhateiro”.

Para o vice-presidente da CCDR-N, “nem a classificação da Unesco está em causa, nem a preservação da paisagem é motivo para restringir futuros investimentos”, nomeadamente aqueles que promovam a “indispensável revitalização das cidades e das vilas”, num território que “não se pretende só atrativo para os visitantes ou investidores”, mas que “demonstre capacidade de fixar os jovens”.

Para os próximos anos, o responsável defende a necessidade de “tirar proveito de uma comunicação em rede dos bens Património Mundial”e de continuar a apostar na internacionalização da marca Douro Património Mundial.

“Pretende-se um papel ativo na rede internacional de regiões vinícolas que ostentam o selo da Unesco”, destaca Ricardo Magalhães para quem, a longo prazo, o desenvolvimento do território deverá também passar por “uma proximidade cada vez maior entre a Universidade de Trás-os-Montes e as empresas da região”.

Foi a 14 de dezembro de 2001 que o Alto Douro Vinhateiro (ADV) foi inscrito na lista do Património Mundial da Humanidade, na categoria de Paisagem Cultural Evolutiva e Viva.

A área classificada compreende 24.600 hectares, cerca de um décimo do total da Região Demarcada do Douro, tendo a sua zona tampão uma área de 225.400 hectares, e abrange 13 municípios: Mesão Frio, Peso da Régua, Santa Marta de Penaguião, Vila Real, Alijó, Sabrosa, Murça, Carrazeda de Ansiães, Torre de Moncorvo, Lamego, Armamar, Tabuaço, S. João da Pesqueira e Vila Nova de Foz Côa, que representam dez por cento da Região Demarcada do Douro.



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