Sindicatos de Castelo Branco e Guarda querem travar declínio económico e social do território

As Uniões de Sindicatos de Castelo Branco e Guarda vão reunir, na sexta-feira, com a secretária de Estado para a Valorização do Interior, a quem apresentarão propostas e contributos para travar “o declínio económico e social” do território.

A reunião com Isabel Ferreira terá lugar pelas 15:00 de sexta-feira, em Bragança, na sede da Secretaria de Estado para a Valorização do Interior.

Segundo as duas estruturas sindicais, a reunião surge por os seus dirigentes acompanharem “com profunda preocupação” o agravamento da situação económica e social dos territórios abrangidos pelas Comunidades Intermunicipais da Beira Baixa e das Beiras e Serra da Estrela, “cujos estrangulamentos são consequência de políticas erradas de décadas e que agora se acentuaram com a pandemia do covid-19”.

“Nos fundamentos do pedido de reunião é dito que não é possível escamotear a diminuição do emprego e o aumento do desemprego, o número de empresas e [de] trabalhadores atingidos pelo ‘lay-off’, com acentuadas perdas de rendimento para os trabalhadores e populações, e a dificuldade acrescida para a retoma da atividade económica por parte de inúmeras micro, pequenas e algumas médias empresas”, lê-se num comunicado.

Os sindicatos também manifestam a sua apreensão “face aos números dramáticos do despovoamento” que indicam que, em apenas oito anos, “estes territórios perderam cerca de 32 mil pessoas, num processo ininterrupto, contínuo e estrutural, que faz adivinhar cenários catastróficos a muito curto prazo”.

As duas Uniões de Sindicatos consideram importante a realização da reunião de trabalho com a secretária de Estado para a Valorização do Interior, “para poderem apresentar a sua visão da situação e as propostas e contributos para travar o declínio económico e social” do território.

O coordenador da União dos Sindicatos de Castelo Branco, Luís Garra, disse hoje à agência Lusa que no encontro serão exigidas novas medidas do Governo para o interior do país: “O Governo tem vindo a anunciar medidas para o interior, mas as medidas já não eram suficientes e necessárias em fevereiro e, agora, com a pandemia, vieram a mostrar-se insuficientes”.

O interior requer “outro tipo de abordagem urgente” e “não é com incentivos de quem venha do litoral para o interior que se vai lá”, alertou.

Para Luís Garra há “duas grandes linhas de orientação” que são fundamentais: “Primeiro, temos um problema estrutural que é preciso ser ultrapassado, que é o baixo rendimento das pessoas. E a segunda tem a ver com a aposta no aparelho produtivo. A questão central é haver uma intervenção ao nível da atração de investimento público e privado, que gere mais-valias”.

As Uniões de Sindicatos de Castelo Branco e Guarda também continuam a defender a abolição das portagens nas autoestradas A23 (Guarda/Torres Novas) e A25 (Aveiro/Vilar Formoso).

Pedro Branquinho, coordenador da União de Sindicatos da Guarda, disse à Lusa que, no imediato, as portagens “deviam ser suspensas até ao final do ano, admitindo tratar-se de uma medida que “tinha significado” para pessoas e empresas.

Dos vários assuntos a abordar na reunião de sexta-feira, o sindicalista apontou o problema do desemprego na região, por prever que “possa duplicar” devido às consequências da pandemia.




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