Seminário do Fundão vai acolher viveiro de plantas para reflorestar a Gardunha

A Câmara do Fundão, em colaboração com um empresário ligado à silvicultura, está a instalar no seminário local um viveiro de plantas, que serão depois utilizadas para a reflorestação da Serra da Gardunha, este verão foi afetada pelo fogo.

Em declarações à agência Lusa, o presidente da Câmara Municipal do Fundão, Paulo Fernandes, esclareceu que a iniciativa envolverá a comunidade local ao nível da recolha de bolotas e sementes e que tem como base a oferta de um empresário da região, que doou gratuitamente 30 mil alvéolos para a plantação das árvores.

“Isso vai-nos permitir ter um viveiro de plantas autóctones para os próximos anos, que, seguramente, nos dá uma boa base de trabalho para o momento em que considerarmos oportuno proceder a esse esforço de reflorestação”, referiu Paulo Fernandes.

Além da oferta dos tabuleiros com os 30 mil alvéolos, José Gameiro, que é proprietário da empresa Silvapor – Ambiente e Inovação, também colaborará na montagem do viveiro, tendo ainda disponibilizado o seu conhecimento para ensinar a melhor forma de tratar as plantas.

“Não podia virar as costas à Gardunha. O concelho onde eu resido [Idanha-a-Nova] não toca com a Gardunha, mas somos beirões e a Gardunha é nossa”, referiu José Gameiro, que recentemente também já se tinha disponibilizado para oferecer e plantar 30 mil árvores para Pedrógão Grande.

A oferta para a Gardunha poderá traduzir-se em 30 mil novas árvores, que, deverão estar prontas a plantar dentro de um ano e que podem servir para fazer cerca de 60 hectares de floresta nova, uma dimensão que expressa bem a importância deste contributo.

O projeto contará ainda com o apoio dos movimentos cívicos locais e das escolas do concelho, que já estão a proceder à recolha de sementes e bolotas, sendo que a população em geral também pode associar-se com a recolha e donativos, conforme sublinhou o presidente deste município do distrito de Castelo Branco.

Segundo o autarca, o foco recai essencialmente em carvalhos e castanheiros, espécies que permitirão uma Gardunha mais sustentável e resiliente contra os incêndios florestais.

Paulo Fernandes lembrou ainda que já estão a decorrer as candidaturas para os agricultores e proprietários que foram afetados pelos incêndios e que a autarquia e as juntas de freguesia disponibilizam apoio para a formalização dos procedimentos.

Segundo a estimativa da Câmara do Fundão, os fogos que ocorreram este verão no concelho terão afetado cerca de 240 agricultores e os prejuízos rondam os quatro milhões de euros.




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