Projeto da Mêda traz novos sabores para a tradicional castanha

Doce de castanha com mel alentejano, com maçã Bravo de Esmolfe, confitada com vinho do porto e biscoito com alfarroba. Estas são algumas das receitas da Sweet Castanea, um projeto sediado em Mêda, distrito da Guarda, que quer enobrecer um produto português: a castanha.

Os ouriços dos castanheiros abrem-se, libertando a sua semente, a castanha, com a chegada do frio nos meses de outubro e novembro. Começa um novo ciclo agrícola com a apanha da castanha e em torno dela a azáfama de vender em feiras e prepará-la em indústria, descascando e ultracongelando a semente do castanheiro para poder ser consumida todo o ano e vendida para o mundo.

Os magustos e as festas da castanha replicam-se em vários locais, sobretudo nas zonas onde os soutos preenchem a paisagem. Neste cenário bucólico com a proximidade dos soutos de Trancoso, Penedono e Sernancelhe, três amigos de Mêda questionaram-se porque não é a castanha um produto mais nobre em Portugal. «No que diz respeito à transformação apenas se descasca e é ultracongelada. De resto, consumimos sobretudo assada ou cozida e apenas nesta altura do ano», comenta Pedro Seixas, um dos mentores do projeto Sweet Castanea.

«Há produtores de compotas que fazem alguns doces com castanha, há uns licores, mas é mais um produto na vasta gama de oferta. Nós quisemos enobrecer a castanha e ela é a nossa matéria-prima principal», sublinha Pedro.
Com o entusiasmo acentuado de quem apresenta ao público, pela primeira vez, um projecto pensado desde março de 2014, Pedro apressa-se a dizer que os produtos aliadas à castanha são todos portugueses.

«Temos compotas só de castanha, castanha com mel da Serra de Portel, Alentejo, e com Maçã Bravo de Esmolfe Denominação de Origem Protegida, da Beira Alta», diz Pedro Seixas. A castanha apresenta-se também inteira, confitada em vinho do Porto, em calda de açúcar e canela e gengibre, «o único ingrediente que não é português, mas sabe tão bem, que mantivemos», assegura Pedro.

Pedro Seixas conta com dois sócios e amigos, um deles com formação na área alimentar. Experiência profissional e uma atenção especial ao mercado, levaram-nos a pensar em produtos diferenciados, como são também exemplo os biscoitos sem glúten.

«Utilizamos farinha de arroz e fermento sem glúten. Temos só de castanha e outros com alfarroba. Temos percebido que há cada vez mais pessoas intolerantes e a oferta é pouca e quisemos aproveitar essa característica da castanha que é o facto de não ter glúten [uma proteína que se encontra em alguns cereais como o trigo]», explica Pedro.

Nesta vasta oferta há ainda a castanhada, um doce com a mesma consistência da marmelada, mas ao qual foi retirado o marmelo e colocada a castanha que é fornecida por um produtor transmontano.
Os pontos de venda ainda são poucos. Para já estão presentes em duas mercearias finas no norte, uma no Porto e outra em Braga, e em negociações com algumas lojas em Lisboa. «No nosso site podem conhecer melhor os nossos produtos, que têm inclusive informação nutricional, e encomendar que enviamos por correio», esclarece Pedro Seixas.

A Sweet Castanea quer afirmar-se no mercado nacional e depois pensar na exportação. «Queremos dar passos seguros e afirmar a marca em Portugal, mas temos consciência que há longo caminho a percorrer até os portugueses consumirem a castanha de outras formas que não seja apenas cozida e assada».




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