Óbito/Eduardo Lourenço: Centro de Estudos Ibéricos lamenta perda do diretor honorífico

O CEI instituiu, em 2004, o Prémio Eduardo Lourenço, em homenagem ao seu mentor, patrono e diretor honorífico.

O Centro de Estudos Ibéricos (CEI), com sede na Guarda, lamentou hoje a morte do seu diretor honorífico, Eduardo Lourenço, considerado “um dos mais prestigiados intelectuais europeus e uma das mais emblemáticas figuras do século XX português”.

“O CEI lamenta a perda do seu diretor honorífico e endereça sentidas condolências à família, perpetuando a memória deste intérprete maior da cultura ibérica e universal que marca o século XX português”, refere, numa nota de pesar, a coordenadora do CEI Alexandra Isidro.

Considerado “expoente máximo do ensaísmo literário e cultural contemporâneo, Eduardo Lourenço foi unanimemente reconhecido no meio universitário com quatro doutoramentos Honoris Causa e, no meio cultural e social, com a atribuição de vários prémios nacionais e internacionais, para além de condecorações do Estado Português, Francês e Espanhol, e de inúmeras homenagens”, lê-se.

“Através do desafio da criação, na Guarda, em 1999, de um Instituto da Civilização Ibérica que unisse as duas Universidades mais antigas da Península (Coimbra e Salamanca), Eduardo Lourenço retornou simbolicamente à sua cidade como diretor honorífico do Centro de Estudos Ibéricos e como patrono da Biblioteca Municipal Eduardo Lourenço, inaugurada em 2008 e que conta com grande parte do seu acervo literário”, lembra a coordenadora do CEI.

O CEI instituiu, em 2004, o Prémio Eduardo Lourenço, em homenagem ao seu mentor, patrono e diretor honorífico, destinado a galardoar personalidades ou instituições com intervenção relevante no âmbito da cultura, cidadania e cooperação ibéricas.

O galardão já distinguiu várias personalidades de relevo de Portugal e de Espanha.

Em 2020, na 16.ª edição, o vencedor foi o professor e investigador espanhol Ángel Marcos de Dios.

Nas edições anteriores receberam o prémio Eduardo Lourenço a professora catedrática Maria Helena da Rocha Pereira, o jornalista Agustín Remesal, a pianista Maria João Pires, o poeta Ángel Campos Pámpano, o professor catedrático de direito penal Jorge Figueiredo Dias, os escritores César António Molina, Mia Couto, Agustina Bessa-Luís, Luís Sepúlveda e Basilio Lousada Castro, o jornalista e escritor Fernando Paulouro das Neves, o teólogo José María Martín Patino e os professores e investigadores Jerónimo Pizarro, Antonio Sáez Delgado e Carlos Reis.

Conselheiro de Estado, professor, filósofo, escritor, crítico literário, ensaísta, interventor cívico, várias vezes galardoado e distinguido, Eduardo Lourenço foi um dos pensadores mais proeminentes da cultura portuguesa.

Eduardo Lourenço Faria nasceu em 23 de maio de 1923, em S. Pedro do Rio Seco, no concelho de Almeida, distrito da Guarda, e morreu hoje, em Lisboa, aos 97 anos.

Autor de mais de 40 títulos, que testemunham “um olhar inquietante sobre a realidade”, como destacaram os seus pares, tem em “Os Militares e o Poder”, “Labirinto da Saudade”, “Fernando, Rei da Nossa Baviera” e “Tempo e Poesia” algumas das suas principais obras.



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