«Esta é a celebração dos 30 anos do Parque Arqueológico do Vale do Côa [PAVC] em que muitos que recordam o elemento fundador, que serve para reconhecer um percurso desenvolvido ao longo de três décadas de estudo e valorização de um património que ocupa um lugar, verdadeiramente singular, na história da humanidade e na identidade cultural do nosso país», disse a governante nas cerimónias do PAVC, presididas pelo Presidente da República, António José Seguro.
Para Balseiro Lopes, no Vale do Côa, um “património único da arte Paleolítica que hoje conhecemos ao ar livre», as gravuras rupestres “marcam a paisagem” enquanto “fazem recordar que a criação artística acompanha a humanidade desde os seus primeiros tempos».
«Este é um património que nos aproxima das origens da criatividade humana, e que nos permite conhecer melhor um passado comum, que pertence não apenas a Portugal, mas a toda a humanidade», frisou Balseiro Lopes no evento, que juntou várias personalidades ligadas ao passado e presente do Vale do Côa, como governantes, autarcas, académicos, entre outras entidades locais e nacionais.
Para a ministra, o Vale do Côa é também um exemplo de como a cultura se afirma no território, sendo um património que não existe desligado da paisagem que o envolve e das comunidades, que ao longo do tempo têm contribuído para a sua valorização e preservação.
Já o presidente da Fundação Côa Parque, João Paulo Sousa, defendeu que aquele território soube transformar risco em património, quando em 1994, no contexto da discussão entre arte e barragem, foram identificadas cerca de 80 rochas com gravuras, em 14 sítios, sendo que no ano seguinte o inventário quase duplicou e continuou a crescer nos anos seguintes.
«Hoje, o território continua a revelar a sua verdadeira dimensão, com mais de 1.600 rochas, espalhadas por 104 sítios arqueológicos. Só em 2026, 69 rochas foram descobertas em seis sítios diferentes», indicou.
A construção da barragem do Côa foi suspensa em 17 de janeiro de 1996, acompanhada pelo pedido de elaboração de um relatório sobre o valor patrimonial e arqueológico da região pela UNESCO, que permitisse ao Governo uma decisão definitiva e fundamentada sobre o projeto hidroelétrico.
Em julho de 1997, o conjunto arqueológico do Vale do Côa foi classificado como monumento nacional e, em dezembro de 1998, foi inscrito na lista de património mundial da UNESCO.
Também na celebração dos 30 anos do PAVC, o presidente da Câmara de Vila Nova de Foz Côa, Pedro Duarte, sublinhou que o reconhecimento do Vale do Côa pela UNESCO como Património Mundial da Humanidade foi “a afirmação de um território extraordinário».
«O Vale do Côa não é apenas um conjunto de gravuras rupestres. É um dos antigos testemunhos da criatividade humana», sublinhou o autarca, que defendeu que o país tomou a decisão certa em preservar as gravuras rupestres, em detrimento de uma barragem.






