Promovida pela Câmara Municipal de Gouveia, a exposição propõe uma viagem pela génese, receção e atualidade do romance Manhã Submersa, publicado por Vergílio Ferreira em 1954. A iniciativa resulta de um trabalho de investigação desenvolvido por Jorge Costa Lopes, investigador do Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa (ILCML).
Através de documentos, testemunhos e elementos biográficos, a mostra revisita a experiência do escritor no Seminário Menor do Fundão, onde ingressou aos onze anos, e que viria a servir de inspiração para o romance. Considerada pelo próprio autor como um exercício de catarse, a obra transformou em literatura uma vivência marcante da sua juventude.
O percurso expositivo acompanha ainda o processo de escrita do livro, desenvolvido entre 1949 e 1953, bem como os obstáculos colocados pela censura do Estado Novo. O texto original, intitulado Cavalo Degolado, sofreu cortes e alterações antes da sua publicação, tornando-se posteriormente uma referência incontornável da literatura portuguesa.
A exposição destaca igualmente a receção crítica da obra por figuras como Óscar Lopes, Mário Sacramento e Eduardo Lourenço, além de recordar a adaptação cinematográfica realizada por Lauro António em 1980. Nesse filme, Vergílio Ferreira participou de forma singular, interpretando o papel do Reitor.
Mais do que uma evocação histórica, a iniciativa convida à reflexão sobre a atualidade dos temas presentes em Manhã Submersa. Concebido pelo autor como uma metáfora dos espaços fechados e dos mecanismos de vigilância, o romance continua a suscitar debate num contexto contemporâneo marcado pela tecnologia e por novas formas de controlo social.
Integrada nas comemorações do Dia de Portugal, a inauguração decorrerá na casa natal de Vergílio Ferreira, hoje transformada em espaço de memória, cultura e divulgação da sua obra, reforçando a ligação entre o escritor e a sua terra de origem.






