Fundão une-se ao Chile para valorizar cereja

A Câmara do Fundão vai estabelecer parcerias com entidades do Chile com o objetivo de valorizar a produção, investigação e comercialização da cereja, disse na passada sexta-feira o presidente daquela autarquia, Paulo Fernandes.

Segundo explicou o autarca à agência Lusa, essas parcerias começaram a ser delineadas depois de em outubro ter realizado uma missão àquele país, durante a qual estabeleceu contactos com vista ao desenvolvimento de novos projetos e partilha de conhecimento.

«Queremos ligar-nos aos melhores centros de investigação do mundo e o Chile tem vários centros de excelência nessa área e, portanto, convidámos já alguns investigadores e representantes desses espaços para, na próxima semana, estarem no Fundão e partilharem connosco o conhecimento e as experiências que têm», disse.

O autarca especificou ainda que a visita será aproveitada para «estreitar os laços» entre o Centro de Biotecnologia de Plantas da Beira Interior (do qual o município é entidade parceira) e os centros de Biotecnologia dedicados à cereja que existem no Chile.

Referindo que também estão a ser realizados contactos com empresas, Paulo Fernandes destacou ainda a importância destas parcerias no que concerne à internacionalização, já que o Chile é um dos maiores exportadores de cereja do mundo.

«Apesar de sermos os maiores produtores de cereja do país, no mercado global somos um mercado pequeno e, por isso, temos de fazer parcerias com os maiores comerciantes de cereja do mundo para podermos chegar a mercados mais longínquos, como por exemplo, na China, que recebe mais de 100 mil toneladas de cereja chilena», apontou.

Segundo especificou, esse número representa oito vezes mais do que aquilo que Portugal produz.

Paulo Fernandes falava à margem do leilão das primeiras cerejas do Fundão, iniciativa que decorreu em Lisboa e durante a qual uma caixa de cerejas de dois quilos foi arrematada por 300 euros.

Esta iniciativa foi ainda aproveitada para anunciar algumas das ações de promoção de cereja que serão realizadas em 2017, ano em que se as condições climatéricas se mantiverem será de excelência.

«Será um ano muito bom e esperamos que se consigam atingir os melhores preços de sempre pagos ao consumidor, até para compensar as perdas do ano passado que, como se sabe, foram muito elevadas», apontou Paulo Fernandes.

Lembrando que, entre o fruto em fresco e os subprodutos, a economia da cereja já representa cerca de 20 milhões de euros no concelho do Fundão, Paulo Fernandes adiantou ainda que o portefólio de produtos derivados de cereja continua a crescer.

Este ano, será lançado o paio com cereja, que se junta aos bombons de cereja, às compotas, aos licores, ao gin, ao chá de cereja, aos sabonetes artesanais e ao pastel de cereja do Fundão, entre outros produtos feitos à base de cereja.

A autarquia manterá as parcerias estabelecidas anteriormente com a TAP e com a CP, bem como a realização de festivais e roteiros gastronómicos e um conjunto alargado de iniciativas locais relacionadas com o turismo de experiência.

Destaque ainda para a realização da já habitual Festa da Cereja, que tem lugar na localidade de Alcongosta entre os dias 9 e 11 de junho.




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