Celorico inaugura Casa do Mundo Rural em Prados

Depois do Borrego há agora o Festival da Castanha  A Câmara Municipal de Celorico da Beira realiza, de 15 a 23 deste mês, um Festival da Castanha. Inserida nesta iniciativa, a autarquia vai inaugurar uma Casa do Mundo Rural, na freguesia de Prados, e um percurso pedestre em Linhares. A freguesia de Prados, em Celorico […]

Depois do Borrego há agora o Festival da Castanha

 
A Câmara Municipal de Celorico da Beira realiza, de 15 a 23 deste mês, um Festival da Castanha. Inserida nesta iniciativa, a autarquia vai inaugurar uma Casa do Mundo Rural, na freguesia de Prados, e um percurso pedestre em Linhares.

A freguesia de Prados, em Celorico da Beira, vai contar, a partir deste fim-de-semana, com um novo motivo de atracção turística. A Câmara de Celorico candidatou há cerca de dois anos um projecto para a recuperação de uma habitação nesta freguesia, onde vai inaugurar, este sábado, a Casa do Mundo Rural.

O projecto, explica o autarca José Monteiro, foi idealizado para mostrar aos mais novos e aos turistas “os usos e costumes” , e ao mesmo tempo, para os mais idosos “reviverem a sua passagem na dificuldade da vida”, porque a Casa do Mundo Rural retrata o quotidiano da população no início do século XX. “A Casa do Mundo Rural pretende transportar aos visitantes a uma época em que a agricultura, associada à pastorícia, eram as principais actividades económicas da população”, diz o autarca.

Este núcleo museológico recria assim um período em que as comodidades no interior de uma habitação eram praticamente inexistentes, recordando as pessoas mais idosas a vivência de outrora, e mostrando às novas gerações um cenário surreal à luz das suas vivências actuais.

Constituída por dois pisos, nesta casa tipicamente beirã, os visitantes apercebem-se que na Casa do Mundo Rural, o piso inferior era onde viviam os animais, o que servia também para aquecimento da própria casa, e onde existia ainda uma arrecadação dos produtos agrícolas, onde se guardavam a batata, o centeio, o vinho e os potes do azeite. A habitação, no piso superior, contempla uma cozinha, uma sala, muito simples, e um quarto para o casal e outro para os filhos. Nestas divisões, refere José Monteiro, “fazemos um recorte, para as pessoas se aperceberem como é que as divisões eram feitas, e onde se utilizavam praticamente dois materiais característicos da zona”. As alvenarias são em granito, e os pisos em madeira. Nesta Casa do Mundo Rural não existe casa de banho porque também na época “não existia”, explica o autarca.

Em complemento à habitação, a Câmara de Celorico da Beira irá produzir um filme, onde se retratam todas as actividades agrícolas no Concelho, como a cultura da batata, a apanha da azeitona, ou a malha, até porque, como aponta o presidente do município, “muitas pessoas que virão aqui desconhecem como é que isto se fazia antigamente”.

Com a casa, há também um logradouro, e hortas, que serão regadas com recurso a um poço e uma nora, mostrando assim como se fazia a rega dos quintais, no passado.

Investimento contou com fundos comunitários

A Casa do Mundo Rural surgiu com uma candidatura da Câmara de Celorico da Beira a fundos comunitários, através da Acção Integrada de Base Territorial (AIBT) da Serra da Estrela. A obra contabilizou 175 mil euros e foi apoiada em 75%.

O presidente José Monteiro acredita que o investimento “vai trazer gente e vai trazer algum turismo, para além de que trará também alguma melhoria para a economia da própria região em si”.

Em complemento do investimento para a criação da Casa do Mundo Rural, a Câmara de Celorico da Beira e a Junta de Freguesia de Prados realizaram uma parceria para a requalificação de toda a área envolvente a este espaço e à Igreja. “Foi uma requalificação urbanística onde melhorámos sensivelmente toda a área pedonal, com calçada e iluminação pública, e com a arborização daquela zona”, explicou José Monteiro.

A escolha de Prados para a edificação de uma Casa do Mundo Rural é associada também ao facto desta freguesia estar inserida na rede de montanha da Serra da Estrela, mas também, “sendo uma das freguesias mais distantes da sede do Concelho, é uma maneira de nos aproximarmos mais dessa gente”, explicou o autarca de Celorico.

Festival da Castanha com Roteiro Gastronómico

A castanha foi escolhida para a realização de mais um festival, depois do sucesso que o borrego alcançou nestes últimos dois anos de realização.

A castanha é também um “produto regional de qualidade”, explica José Monteiro, que mostra ainda a intenção de Celorico vir a realizar também um Festival do Azeite, “porque também é uma zona de grande qualidade de azeite”.

O presidente de Celorico da Beira diz que o município procura estar “ligado à terra”, e demonstra-o com estas iniciativas. “Além de fazermos a promoção e a divulgação dos produtos endógenos e regionais com qualidade, tentamos fazer com a castanha o mesmo que fizemos com o borrego. Isto é bom para a nossa economia, além de estarmos a divulgar o produto, estamos a promovê-lo e a comercializá-lo”, revelando que, com o Festival da Castanha, duas ou três toneladas de castanha sairão do produtor para serem colocadas no mercado.

O Festival da Castanha, que se prolonga até dia 23 de Novembro, conta com um Roteiro Gastronómico, por 16 restaurantes que aderiram à iniciativa. “Os restaurantes vão confeccionar pratos ligados à castanha, tendo envolvido mesmo alguns chefs de renome, que deram formação à cozinha de cada um destes restaurantes, por forma a elaborarem pratos que possam ser diferentes em cada um deles”, contou o autarca celoricense.

Este fim-de-semana, o Festival da Castanha propõe uma ida a Prados e a Linhares. Em Prados, no sábado, há uma arruada com os Bombos do Baraçal, à qual se segue a actuação da Banda Filarmónica “Os Bazófias” de Vale de Azares. Pelas 10.30 horas, é então inaugurada a Casa do Mundo Rural. O almoço, gratuito, conta na ementa com uma sopa de castanha e borrego guisado com castanhas. Há tarde será realizado um magusto.

Por: José Paiva




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