Casa Memória Solar São João da Praça enaltece história militar da vila de Almeida

O projeto vai integrar o futuro Roteiro de Riba Côa Liberal e pretende ser “um epicentro de cultura”.

A Casa Memória Solar São João da Praça, que vai funcionar a partir de sábado, em Almeida, é um espaço que enaltece a história militar daquela vila e um complemento ao património existente, segundo os seus promotores.

O historiador Augusto Moutinho Borges, que assume a direção e a curadoria do espaço museológico, disse à agência Lusa que os turistas passam a visitar em Almeida “uma casa de identidade” e “a primeira casa que enaltece o papel dos militares no território”.

Segundo o responsável, o projeto é importante para a vila de Almeida, no distrito da Guarda, uma Aldeia Histórica que faz parte da candidatura das fortalezas da raia candidatas a património mundial da UNESCO.

Moutinho Borges lembra que o equipamento, que surgiu da iniciativa de um particular, está vocacionado para a valorização turística, para a cultura e para o lazer, “com visitas comentadas à sua histórica arquitetónica, artes decorativas portuguesas e de sua influência, de almeidenses ilustres e autenticidade espacial”.

O projeto vai integrar o futuro Roteiro de Riba Côa Liberal e pretende ser “um epicentro de cultura”.

A Casa Memória constitui-se, também, como “um elemento inovador a visitar em Almeida, em complemento ao grandioso património das muralhas, à arquitetura civil, ao Museu Histórico Militar e às recriações históricas”, de acordo com Moutinho Borges.

A casa, situada na Praça Dr. Casimiro Matias, no centro histórico de Almeida, é representativa “da grande fidalguia de militares” daquela antiga praça-forte e oferece a possibilidade de o visitante usufruir de visitas comentadas.

Com o projeto, os promotores pretendem dar a conhecer vivências militares e de personagem, evocando o património histórico, num edifício que foi objeto de “intervenções mínimas”.

O diretor e curador deseja que a Casa Memória “seja um exemplo das artes decorativas portuguesas” e uma “casa escola” onde os estudantes de arquitetura aprendam “a questão da luminosidade, do som na arquitetura, dos materiais, da coloração”, entre outras componentes.

A antiga casa de oficiais numa praça de guerra, que recria “ambientes autênticos do passado”, está constituída por módulos, situando-se a zona nobre no primeiro andar e a zona dos quartos no piso inferior. Também existem áreas de serviços, umas antigas cavalariças e o pátio do carral (por onde entravam os carros).

Um dos destaques vai para a Sala do Trono – local “onde se davam as receções aos governadores e aos militares” -, onde os visitantes poderão tirar fotografias “na única Sala do Trono onde vai ser possível este divertimento em Portugal”, segundo Moutinho Borges.

O projeto museológico que recria ambientes da época, permite visitas de hora a hora, que tanto podem ser livres como comentadas (duração de 50 minutos), mas no arranque da atividade apenas promove as comentadas.

Os promotores também realizarão visitas noturnas, visitas comentadas a Almeida em jipe de 1942, visitas pedestres guiadas e comentadas a Almeida, às Aldeias Históricas de Castelo Mendo e Castelo Rodrigo, provas de produtos endógenos, vinhos e sabores, tertúlias e percursos culturais na região.

O edifício do Solar São João da Praça foi mandado construir em 1726 pelo coronel de infantaria José Delgado Freire.

Nasceram na casa, entre outros, o general Fernando Delgado Freire de Castilho, militar e político que foi governador de Paraíba, no Brasil, entre 1796 a 1810, e de Goiás, de 1810 a 1820.

O edifício manteve-se na família até 1905, ano em que foi vendido e, este ano, foi convertido numa casa histórica para usufruto turístico e cultural.




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