Aldeia Viçosa revive tradição centenária do “Magusto da Velha”

A tradição centenária do “Magusto da Velha” de Aldeia Viçosa, no concelho da Guarda, que inclui o lançamento de castanhas do cimo da torre da igreja local, é hoje revivida.

O “Magusto da Velha”, que remonta ao século XVII, teve origem numa doação feita por uma mulher abastada, cujo nome se desconhece, para que os habitantes daquela localidade pudessem comer castanhas e beber vinho uma vez por ano.

“Hoje, dia 26 de dezembro, vamos cumprir mais um ‘Magusto da Velha’, que é uma festa centenária. Aldeia Viçosa vai novamente receber milhares de pessoas”, disse à agência Lusa o presidente da Junta de Freguesia.

Como é hábito, a autarquia, que promove o evento, distribuirá pelos participantes mais de 100 quilos de castanhas e cerca de 100 litros de vinho.

Segundo Luís Prata, as atividades começam pelas 14 horas do dia a seguir ao Natal e o programa segue o guião dos anos anteriores, com “a ‘chuva’ de castanhas”, que são lançadas da torre da igreja, com as “cavaladas” [que ocorrem quando as pessoas se baixam para apanharem as castanhas do chão e os mais novos saltam para cima das suas costas, arrancando muitas gargalhadas à assistência]” e com barraquinhas com produtos típicos da região.

“Estamos também a tentar associar a temática do azeite a esta festa, uma vez que em Aldeia Viçosa se produz do melhor azeite de Portugal e quiçá do Mundo. Vamos abrir novamente as portas do lagar tradicional. Esperamos que no próximo ano este espaço já esteja a funcionar como casa do azeite, como museu do azeite. Estamos a trabalhar nesse sentido”, anunciou.

A organização também terá “torradinhas [de pão] com azeite para que os turistas possam degustar e comprovar a qualidade” do azeite produzido localmente.

“Vai ser mais um dia em cheio em Aldeia Viçosa, em memória da benemérita ‘velha'”, vaticina Luís Prata.

Os festejos encerram pelas 18 horas com uma missa pela “velha”, porque o testamento da benemérita, que está na origem da oferta anual das castanhas e do vinho, inclui “a obrigação” de o povo rezar “um pai-nosso” pela sua alma, explicou o responsável.

O nome da mulher ainda é desconhecido, apesar de já terem sido realizadas investigações históricas, mas o presidente da Junta de Freguesia considera que “seria de bom-tom averiguar um bocadinho mais” e saber quem era a benemérita e as razões “deste gesto”.

O “Magusto da Velha” tem origem numa herança feita em 1698 aos habitantes de Aldeia Viçosa, por uma mulher abastada que ficou conhecida por “velha”, por o seu nome não ser conhecido.

Segundo a tradição, a “velha” quis que os residentes comessem castanhas e bebessem vinho uma vez por ano e, em troca, rezassem um pai-nosso pela sua alma.

A herança é mencionada no “Livro de Usos e Costumes da Igreja do Lugar de Porco – Ano de 1698” e, ainda hoje, a Junta de Freguesia recebe anualmente uma renda perpétua de 48 cêntimos de euro, que é depositada na sua conta bancária pelo Instituto de Gestão do Crédito Público.

 

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