É fundamental proteger as nossas memórias, promover o diálogo, estimular a reflexão e abraçar a imaginação.

A “Folha Fojeira” é um boletim informativo que nasceu no ano de 1994, sob a égide do “Grupo Cultural e Desportivo de Fóios”. Através dela, boa parte da história dos Fóios ficará seguramente eternizada. História essa que, em muitas ocasiões, é transversal a todos os povos da Raia. A Raia é vida, mas sem identidade e sem memória findaria!


Em 2022, os responsáveis de tão nobre documento decidiram editar o livro “Folha Fojeira – 1994-2020”, que mais não é do que a compilação de todas as edições da “Folha Fojeira”.


De salientar o trabalho abnegado e de enorme importância realizado pelo professor José Tavares, Presidente do “Grupo Cultural e Desportivo de Fóios” e principal impulsionador da “Folha Fojeira”.
A “Folha Fojeira” germina do desassossego, do conhecimento, da meditação, da capacidade de criar e do verdadeiro “sentimento de pertença” pelas nossas raízes.


É fundamental proteger as nossas memórias, promover o diálogo, estimular a reflexão e abraçar a imaginação. A “Folha Fojeira” faz-nos respirar, compreender, meditar, acreditar, crescer, beber erudição, soltar o riso e o grito, abandonar o açaime e construir o nosso interior. Colabora para que a cidadania passiva se transforme numa cidadania activa e enérgica, privilegiando a liberdade, a ética e o rigor. Escolta a “topografia” dos Fóios e da Raia, perfilhando a verdade, o respeito e o correcto acolhimento dos conteúdos. Aqui não há lugar para a trivialidade, o boato e a difamação.


Os responsáveis e colaboradores da “Folha Fojeira”, dotados de elevados índices de sacrifício, compromisso, dedicação, competência e motivação, têm presenteado os leitores com a continuidade deste sumarento “projecto”. Sinto-me honrado sempre que a minha opinião é publicada na “Folha Fojeira”!


A “Folha Fojeira”, favorecendo a imparcialidade e a liberdade de expressão, sempre se afastou do poder político, nunca ambicionando ser parte integrante do mesmo. A “Folha Fojeira” é património, cultura e cor, não estando circunscrita à Freguesia de Fóios. Na verdade, está ao serviço de uma Raia melhor!
A “Folha Fojeira” é um instrumento de utilidade pública, pois difunde e eleva as palavras cidadania, democracia, responsabilidade social e solidariedade. É certamente uma fonte de sapiência para historiadores e narradores. É relevante preservar as nossas tradições, reforçar a nossa identidade e questionar as decisões políticas, económicas, sociais, religiosas e culturais do nosso Concelho. A “Folha Fojeira” reúne todos esses requisitos!


Quis o destino e Deus que as nossas raízes brotassem na Raia Seca do Concelho do Sabugal ou nas Terras do Demo, como diria Aquilino Ribeiro na sua obra “Terras do Demo”. De realçar que o romance “Terras do Demo” transporta-nos ao coração da geografia sentimental de Aquilino Ribeiro.


Só posso concluir que permitir que o Demo moldasse as gentes da Raia, não foi mais do que uma pequena concessão de Deus para nos tornar um povo único. Que não se ensaie qualquer confusão, não se trata de sermos uma raça eleita… nem melhores, nem piores, apenas diferentes.


As terras agrestes e frias da Raia talharam o nosso carácter. Relações e códigos de conduta muito próprios. Este recanto do território raiano, a que chamamos “Raia” e que nos moldou a todos, deu-nos tudo aquilo que fomos e tudo aquilo que somos. A capeia, o encerro, os bois, os cavalos, os escritores, os pintores, o rio, as festas religiosas, o xaile, o lenço na cabeça, as histórias do contrabando, a gíria dos contrabandistas, a fotografia rasgada, as travessias “a salto”, o eterno Natal, a carroça, o carro de bois, a castanha, o cabrito, a truta, os enchidos e a panela de ferro são “manifestações” que foram constantemente enaltecidas na “Folha Fojeira”.