Politécnico da Guarda associa-se a marcha por estudante cabo-verdiano morto

A exemplo de outras cidades do país, a marcha solidária será realizada no sábado, a partir das 15 horas, com partida junto da Sé Catedral da Guarda.

O Instituto Politécnico da Guarda (IPG) vai associar-se à marcha solidária marcada para sábado, naquela cidade, em homenagem ao estudante cabo-verdiano que morreu no dia 31 de dezembro, em Bragança, anunciou o seu presidente.

Joaquim Brigas disse à agência Lusa que o IPG se associa à iniciativa “para sensibilizar e chamar a atenção, com alguma veemência, para a necessidade da tolerância e da aceitação da diferença”.

Segundo o responsável, a exemplo de outras cidades do país, a marcha solidária será realizada no sábado, a partir das 15 horas, com partida junto da Sé Catedral da Guarda.

A participação do IPG na iniciativa foi anunciada em comunicado, onde Joaquim Brigas refere que a morte de Giovani Rodrigues, aluno da Escola Superior de Comunicação, Administração e Turismo de Mirandela e residente em Bragança, vítima de agressões em Bragança, “é uma tragédia que atinge e consterna todo o ensino superior português”.

O presidente do IPG refere no comunicado que, “tal como o Politécnico de Bragança, também o IPG se enriquece por ter estudantes estrangeiros, como Giovani, a frequentar os seus cursos, a investigar nos seus laboratórios e a animar os seus corredores e os seus espaços de estudo e de convívio”.

“Tal como Bragança, também a Guarda e Seia [onde o IPG possui escolas] – e todas as cidades com ensino superior – têm ganho com os estrangeiros que para elas têm vindo viver e estudar. É, por isso, necessário afirmar de forma absolutamente inequívoca que todos os alunos estrangeiros, todos os africanos e todos os cabo-verdianos são e continuarão a ser muito bem-vindos”, lê-se.

Joaquim Brigas faz à comunidade académica e à população um “veemente apelo à tolerância, à não-violência e à sã convivência com os estudantes internacionais”.

Na nota, o responsável apela também “aos seus estudantes, professores e funcionários para que participem na Marcha Solidária que, no sábado, partirá, às 15 horas, da Sé da Guarda, a exemplo de outras cidades do país”.

“É imprescindível que, nesta hora de consternação e de luto, todos afirmemos os valores do humanismo, da multiculturalidade e da paz”, remata.

O presidente do IPG disse à Lusa que a presença de estudantes estrangeiros no ensino superior “é uma realidade cada vez mais presente” e a multiculturalidade “também é um bem”, apelando “à tolerância, à aceitação das diferenças e a uma sã convivência entre as várias culturas”.

Nas quatro escolas do IPG estão atualmente 670 estudantes internacionais, dos quais mais de 150 são de Cabo Verde, sendo a maior comunidade de alunos estrangeiros de São Tomé e Príncipe, com mais de 250, segundo Joaquim Brigas.

O jovem Giovani Rodrigues, de 21 anos, estava há pouco tempo em Bragança e tinha saído com um grupo de amigos na noite em que foi encontrado caído na rua depois de uma rixa num bar da cidade em que esteve envolvido um dos elementos do grupo.

Depois de ser transportado para o hospital de Bragança foi transferido para o Santo António, no Porto, onde morreu na madrugada de 31 de janeiro.

O caso tem merecido a atenção política e diplomática de Cabo Verde e Portugal com repetidos pedidos de um cabal esclarecimento.


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