Projeto privado dedica 20 milhões para educação de alunos com dificuldades

O projeto “Ser Pro” vai atuar junto dos adolescentes que reprovaram e “que se sentem atrasados e sem esperança” vai começar em oito escolas, nomeadamente, em Seia.

Dois programas apresentados hoje vão ajudar as crianças a ultrapassar dificuldades de leitura e apoiar os alunos mais velhos a terminar o secundário, um projeto da recém-criada Iniciativa Educação, que conta com 20 milhões de euros.

O antigo líder da Jerónimo Martins Alexandre Soares dos Santos (que morreu em 16 de agosto) tinha o sonho de criar um projeto capaz de ajudar os alunos que mais precisassem, recordou hoje o filho José Soares dos Santos durante a apresentação do novo projeto da família intitulado “Teresa e Alexandre Soares dos Santos – Iniciativa Educação”.

Com uma verba de 20 milhões de euros, a Iniciativa Educação tem já dois projetos em curso em 33 escolas: um para as crianças do 1.º e 2.º anos de escolaridade e outro para os adolescentes que terminam o 3.º ciclo, anunciou o presidente do Conselho Diretivo, o ex-ministro da Educação Nuno Crato.

Para combater a iliteracia entre os mais novos, a equipa criou o “A a Z – Ler Melhor, Saber Mais”, que será aplicado em 25 escolas de três zonas do país: Gondomar, Moura e Açores (nas ilhas de São Miguel e Santa Maria).

A escolha das escolas baseou-se nos resultados dos alunos portugueses em testes internacionais, como o PISA (Programme for Intrenacional Student Assessment), que permitiu “identificar onde havia mais problemas e maiores necessidades de intervenção”, explicou Inês Soares dos Santos Canas, também da direção.

Os projetos hoje apresentados já saíram do papel. Os professores das escolas começaram por fizer um levantamento dos alunos com mais dificuldades e uma equipa da Iniciativa está a afinar os dados, acrescentou João Lopes, que dirige o programa de literacia.

“Em vários locais temos bastante mais alunos com dificuldades do que os inicialmente previstos”, revelou o professor João Lopes.

Em dezembro, os alunos selecionados deverão começar a ter apoio de um professor para conseguir alcançar um desempenho idêntico ao da média da turma.

João Lopes lembrou que a intervenção feita nos dois primeiros anos de escolaridade permite a recuperação de 80% das crianças, uma percentagem vai diminuindo à medida que se avança nos estudos.

Na Europa, quase um em cada cinco jovens (19,7%) tem dificuldades em perceber o que lê. A iliteracia é um problema grave a que Portugal não está imune, com 17,2% dos jovens a revelarem dificuldades, lembrou Nuno Crato.

A Iniciativa Educação também tem o projeto “Ser Pro” para atuar junto dos adolescentes que reprovaram e “que se sentem atrasados e sem esperança”, resumiu o ex-ministro da Educação, explicando que a ideia é apoiar quem quer concluir o secundário com uma formação prática e qualificação profissional.

O “Ser Pro” vai começar em oito escolas: Moura, Sousel, Setúbal, Lisboa, Sacavém, Seia, Lagoa e Salvaterra de Magos.

Isabel Hormigo, que está à frente deste projeto, lembrou que a ideia é criar uma maior proximidade entre a vida na escola e a vida nas empresas. A ideia é dar qualificações aos alunos para a vida ativa.

“Não pretendemos substituir-nos ao Estado”, garantiu Nuno Crato, lembrando que outro dos princípios da organização é desenvolver projetos que sejam replicáveis.

José Soares dos Santos acredita que, “dentro de cinco anos”, as taxas de sucesso dos alunos envolvidos nos vários projetos da “Iniciativa Educação” vão revelar a qualidade dos métodos e dos programas que começam agora a ser implementados.

Inês Soares dos Santos lembrou hoje o desafio lançado pelo pai de criar um projeto que consiga evitar o que Alexandre Soares dos Santos encontrou em algumas escolas do país: “Jovens com um olhar vazio e falta de esperança”.




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