GNR e Guarda Civil espanhola no controlo de viaturas na fronteira de Vilar Formoso

Quinze elementos da Guarda Civil espanhola e da GNR realizaram hoje de manhã, durante duas horas, uma operação de controlo de viaturas na fronteira entre Fuentes de Onoro (Espanha) e Vilar Formoso (Portugal).

Cunha Rasteiro, da GNR da Guarda, explicou aos jornalistas que controlos móveis como este se realizam regularmente, sendo uma das “medidas compensatórias” da supressão de fronteiras fixas, decorrentes dos acordos entre Portugal e Espanha e que têm como principal objetivo o combate à criminalidade.

“Os controlos móveis são feitos em variados locais. Podem ser feitos até 50 quilómetros da fronteira”, de um lado e do outro, referiu, acrescentando que, no distrito da Guarda, a fronteira tem cerca de 100 quilómetros e 12 locais de passagem para veículos ligeiros.

Mediante as informações que as forças de segurança vão recebendo são determinados “os controlos móveis ao longo da fronteira”, acrescentou.

Questionado sobre alguma ameaça de terrorismo sentida por estes dias, Cunha Rasteiro realçou que o controle de hoje apenas se realizou no âmbito da “cooperação entre os Estados” e procurou “viaturas que se tornam suspeitas”.

“O estado de alerta em Portugal não foi alterado, continua na mesma”, afirmou, garantindo que, no entanto, os elementos das forças de segurança estão “mais vigilantes e mais atentos”.

Nestes controlos móveis, a GNR e a Guarda Civil estão atentas a “pessoas procuradas, armas, estupefacientes, explosivos, infrações ambientais e fiscais”, ou seja, “um pouco de tudo em termos de criminalidade”.

“Tem havido uma intensificação da cooperação e da troca de informações e temos atuado no terreno conforme as informações que vamos recebendo entre os Estados e as forças de segurança”, acrescentou.

Henrique Miguel, responsável do gabinete de imprensa da Guarda Civil de Salamanca e do dispositivo hoje instalado em Fuentes de Onoro, considerou que “todos os espaços de fronteira são sensíveis” no que respeita ao terrorismo.

“Qualquer elemento terrorista pode tentar passar de um país para o outro e, evidentemente, crê que os lugares mais fáceis de passar são as fronteiras terrestres. Como é evidente, não é assim”, frisou.

Segundo Henrique Miguel, os terroristas “nunca vão saber” onde é feito um controlo, a que horas ou com que meios.

“Agora há estes meios e noutro lugar podemos ter quatro agentes, GNR e Guarda Civil. Tentamos que os terroristas, ou qualquer outro delinquente, se sinta inseguro. Eles não podem ter nunca a segurança de que circulam livremente por Espanha ou por Portugal”, acrescentou.

António Cruz, que regressava com o filho menor a Bayonne (França) depois de uns dias passados com a família em Ovar, foi um dos condutores que parou na operação.

A existência de uma catana dentro da viatura levou a uma busca minuciosa à viatura.

“O meu pai tinha uma ‘catanazita’ em casa e eu levo-a porque o meu colega tem lá um jardim” e dá jeito para “cortar umas árvores”, contou à agência Lusa, referindo que foi esse o único motivo porque a meteu no banco do carro.

Também Paulo Miguel, que regressava a Bordéus (França) depois de uns dias de férias em Penafiel, teve que interromper a viagem e foi revistado, tal como os dois funcionários que levava consigo.

“Pararam e controlaram carro, as malas e a nós mesmos”, contou à Lusa, considerando esta operação “normal, dada a situação que se está a viver”.




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