Documentário de Jorge Vaz Gomes exibido no centenário da participação portuguesa na Primeira Guerra Mundial

Natural da Guarda, o artista plástico de fotografia e vídeo é o autor do documentário “Soldado Nobre”, onde o realizador “procura o bisavô que ele nunca viu e quer saber a história”.

A associação Memória Viva vai assinalar o centenário da participação portuguesa na Primeira Guerra Mundial, sob o lema “Maldita Seja a Guerra”, a 07 e 08 de abril, nas localidades do norte de França onde estiveram os soldados lusos.

O programa inclui uma visita aos principais locais onde esteve o Corpo Expedicionário Português (CEP), uma exposição fotográfica, a apresentação de um livro, de um documentário e uma homenagem no cemitério de Richebourg L’Avoué, onde estão sepultados 1.831 soldados, dos quais 238 são desconhecidos.

A associação escolheu como lema “Maldita seja a guerra” porque tem uma “visão antiguerra e pacifista”, pelo que vai colocar uma coroa de flores com essa inscrição no cemitério porque “estes soldados vieram cá morrer”, disse à Lusa Cândida Rodrigues, uma das organizadoras da iniciativa que teve um familiar que lutou nas trincheiras.

“É uma história que é muito desconhecida em França, raros são os franceses que sabem que os portugueses participaram na primeira guerra mundial. Na emigração portuguesa é um tema que também é pouco valorizado. Os que valorizaram sempre a participação dos portugueses na Primeira Guerra Mundial são os descendentes dos próprios portugueses que vivem no norte da França”, afirmou.

A coordenar o evento está também Octávio Espírito Santo, membro da associação, que criticou os que utilizam a expressão “combatentes da liberdade” para caracterizar soldados “obrigados” a ir para a linha da frente, onde morreram e sobreviveram em “condições miseráveis”.

No folheto do evento, a associação retomou a expressão ‘Carneiros Exportados de Portugal’ para designar o CEP, uma expressão que foi usada, há um século, pelos antiguerra, para “denunciar o que os soldados sofriam”.

Citando o diário de campanha do general Fernando Tamagnini, de 23 de agosto de 1917, Cândida Rodrigues recordou, por exemplo, que, no terreno, faltavam “oficiais, soldados, mulas e cavalos, etc” e que os soldados nem sequer tinham fardas adaptadas para enfrentar o frio.

Esta é a primeira vez que a associação vai recordar os soldados que participaram na Primeira Guerra Mundial em França, assim como os milhares de trabalhadores portugueses contratados nessa altura ao abrigo de um acordo de mão de obra entre Portugal e França.

No dia 07 de abril, está prevista uma visita guiada pelo historiador Bertrand Lecomte, da associação “l’Alloeu Terre de Batailles 1914-1918”, em torno dos locais onde estiveram as tropas portuguesas, como, por exemplo, Neuve-Chapelle, Richebourg, La Couture e Laventie.

Ainda nesse dia, vai haver a projeção do documentário “Soldado Nobre”, de Jorge Vaz Gomes, um realizador que está “à procura de um bisavô que ele nunca viu e quer saber a história”, explicou Cândida Rodrigues.

No dia 08 de abril, de manhã, no cemitério militar de Richebourg-L’Avoué – na véspera das comemorações oficiais – a associação vai colocar uma coroa de flores com a inscrição “Maldita Seja a Guerra – Em nome da Memória Viva 1918-2018” para homenagear o centenário do CEP, vai haver canções antiguerra, e a leitura de excertos de cartas dos “Prisioneiros Portugueses da Primeira Guerra Mundial” de Maria José Oliveira.

Às 12 horas, em Laventie, haverá “outra ação da visão antiguerra e pacifista” que é a apresentação da versão francesa do livro “O Soldado Sabino” do escritor Nuno Garcia Gomes, traduzida para francês por Dominique Stoenesco, membro da associação.

No dia 08 de abril, vai ser, ainda, apresentada a exposição “Portraits Photographiques 14-18”, com retratos de soldados portugueses tirados há um século por uma costureira, Regina Louchard-Labitte, que doou o seu espólio ao fotógrafo francês Thierry Dondaine.




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