Deputado do PS propõe classificação e recuperação da linha Pocinho – Barca d’Alva

O deputado socialista Santinho Pacheco anunciou hoje que solicitou ao Governo o início do processo de classificação da linha entre Pocinho e Barca d’Alva, no distrito da Guarda, e que apelou à sua recuperação para fins turísticos.

“É tarefa fundamental do Estado proteger e valorizar o património cultural como instrumento primacial da dignidade da pessoa humana”, refere Santinho Pacheco, deputado eleito pelo círculo eleitoral da Guarda, em missiva enviada ao ministro das Infraestruturas e Planeamento, Pedro Marques, e à secretária de Estado do Turismo, Ana Mendes Godinho.

No documento, esclarece que já solicitou ao Ministério da Cultura “o início do processo de classificação” da linha férrea, “como bem de interesse cultural integrador da paisagem duriense”.

O socialista indica que o troço da linha do Douro entre Pocinho (Vila Nova de Foz Côa) e Barca d’Alva (Figueira de Castelo Rodrigo), desativada e encerrada ao tráfego ferroviário há mais de 20 anos, encontra-se hoje “num estado de absoluto abandono e destruição da via e estações do percurso, que a breve prazo será irreversível”.

“A linha férrea ladeia a margem esquerda do rio Douro no seu trecho mais bonito e espetacular do ponto de vista paisagístico, no qual se integra a foz do rio Côa e o seu património arqueológico”, esclarece.

Indica ainda que é a única linha ferroviária do país que atravessa um território que integra dois Patrimónios Mundiais da UNESCO: o Douro Vinhateiro e o Parque Arqueológico do Vale do Côa.

“É uma linha centenária perfeitamente integrada na paisagem dos socalcos durienses, entre amendoeiras e vinhedos, com um enorme potencial e uma mais-valia para reforçar o Vale do Douro enquanto destino turístico internacional”, considera.

O deputado defende que a destruição da linha do Douro “tem de ser travada”, sendo “necessário que se evite o seu desmantelamento travessa a travessa, carril a carril, pedra a pedra”.

Na opinião de Santinho Pacheco, aquela via “tem um indiscutível interesse turístico e, por isso, é um valor económico para uma região em constante despovoamento”.

Lembra que o presidente da Diputación de Salamanca já anunciou que o troço espanhol da ferrovia vai ser recuperado para fins turísticos, considerando que “faz todo o sentido que a linha do Douro seja vista como um projecto único, quer no território português, quer no troço espanhol “.

Por isso, defende que o Governo, “na ausência de Regiões Administrativas, assuma a responsabilidade de recuperar aquela via férrea para fins turísticos”.

O deputado eleito pelo círculo eleitoral da Guarda espera que a linha do Douro seja um “projeto âncora” do desenvolvimento do território e que ajude a viabilizar investimentos privados e públicos, como é o caso do Museu do Côa.




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