Coficab exportou quase tanto como o concelho da Covilhã

Empresa sediada em Vale de Estrela (Guarda) exportou, em 2013, cerca de 150 milhões de euros, menos 17 do que todas as empresas da Covilhã.

Se a Guarda é o concelho que mais exporta e importa na região muito fica a dever-se à Coficab, empresa sediada em Vale de Estrela. Ao longo do último ano, a multinacional exportou «cerca de 150 milhões de euros» e «importou cerca de 130 milhões», disse o diretor geral João Cardoso ao jornal O INTERIOR. Tal como noticiado na edição anterior, a Guarda lidera na região com grande destaque, nomeadamente na importação: em 2013, o concelho exportou mais de 205 milhões de euros e importou cerca de 220 milhões, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), divulgados pelo “Jornal de Negócios”. Contas feitas, a Coficab representa mais de 73 por cento do total concelhio em vendas ao mercado estrangeiro, quase tanto como a Covilhã, segunda classificada no “top” regional, que exportou mais de 167 milhões de euros. Comparativamente, a Coficab exportou quase 90 por cento desse valor. E a tendência é para aumentar: «Há quatro anos o valor era inferior a 100 milhões de euros, pelo que a tendência é de aumento continuado», confirma João Cardoso. A multinacional faturou cerca de 170 milhões de euros no último ano, com a exportação a render 90 por cento desse valor: «Permitiu-nos atravessar o período muito difícil a nível interno sem grandes perturbações, continuando um ritmo de crescimento superior a 10 por cento ao ano», destaca o diretor geral. «O nosso mercado mantém-se estável, exportamos para mais de 30 países e a situação menos boa de uns é compensada pelo crescimento de outros», adianta. Em termos de importações, a Coficab adquiriu no exterior quase o dobro da Covilhã (72,5 milhões de euros), o segundo concelho mais importador da região. Mas a diferença podia ter sido ainda maior: «Conseguimos localizar na Guarda um dos nossos principais fornecedores, a empresa ACI, que antes nos servia de Espanha, substituindo as importações por produção local», justifica João Cardoso. Entretanto, em junho deve abrir portas o centro tecnológico da empresa, que vai concentrar os diversos serviços de desenvolvimento de produto, engenharia de processo e qualidade central.

Evitar a importação também é importante

Também a Têxtil Manuel Rodrigues Tavares está entre as exportadoras da Guarda, mas com valores bem distintos. A empresa exporta diretamente entre 35 e 40 por cento da sua produção, enquanto, indiretamente, atinge os 55 por cento ao vender a empresas nacionais que depois exportam o produto final. «Exportámos entre os 3,5 e 4 milhões de euros em 2013», afirma o administrador Pedro Tavares, salientando que «a Coficab é certamente responsável pela maior parte do valor» alcançado pelo concelho. Contudo, o responsável alerta para a importância da produção nacional: «Há um “chavão” perigoso da exportação porque há empresas que contribuem para que não haja importações e, para a balança de pagamentos, isso é tão importante como a exportação», considera. Na Têxteis Tavares a exportação tem-se mantido nos últimos anos, mas «estamos sempre atentos e à procura de mercados, o que não é fácil para uma empresa de dimensão média como a nossa, pois é preciso ir lá», admite o empresário. Já quanto a compras no exterior, Pedro Tavares frisa que «somos abastecidos maioritariamente por importações porque o mercado nacional não nos consegue abastecer». Apesar das tentativas, o jornal O INTERIOR não conseguiu obter em tempo útil um comentário da DURA, multinacional sediada em Vila Cortês do Mondego e que exporta a totalidade da sua produção.




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