China abre portas a sete empresas de laticínios da região

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A sorte grande saiu a produtores de queijo e derivados de leite de Seia, Celorico, Aguiar da Beira, Trancoso, Fornos de Algodres, Covilhã e Fundão que fazem parte da restrita lista de empresas do setor autorizadas a exportar para o enorme mercado chinês.

Sete empresas de laticínios da região estão habilitadas a exportar queijo e derivados de leite para a China. Segundo a Direção Regional de Alimentação e Veterinária, a sorte grande saiu a cinco unidades do distrito da Guarda, uma da Covilhã e outra do Fundão.

Este “passaporte” foi obtido pela Queijos Tavares, de Carragosela (Seia); Lactovil (Trancoso); Lacto-Serra, de Valverde (Aguiar da Beira); os Lacticinios Monte Verão, de Vale de Azares (Celorico da Beira); a Adilacta (Fornos de Algodres); a Braz & Irmão, de Peraboa (Covilhã); e Damar (Fundão). Em Portugal, apenas 31 empresas do setor poderão exportar para o maior mercado do mundo, com mais de 1.300 milhões de potenciais consumidores e com um crescimento do PIB variável entre os 7 e 8 por cento, segundo dados do Banco Mundial. A lista foi publicada recentemente e anunciada pelo vice-primeiro-ministro Paulo Portas durante a escala do presidente da República Popular da China, Xi Jinping, na ilha Terceira (Açores) a 24 de julho. «Esta decisão constitui uma grande oportunidade e outras negociações no âmbito agroalimentar vão a bom ritmo», declarou o ministro dos Negócios Estrangeiros, tendo recordado que a China levantou as barreiras fitossanitárias à importação de laticínios portugueses após «um longo processo negocial que terminou há 14 meses».

Numa declaração à imprensa na altura, Paulo Portas apontou o crescimento das exportações portuguesas para a China, que passaram «de 220 milhões de euros, em 2009, para 660 milhões de euros, em 2013», sendo que «no primeiro trimestre deste ano, o crescimento foi ainda mais espetacular». A Lactovil, sedeada em Trancoso, está pronta para entrar nesta aventura: «O mercado do Oriente é, sem dúvida, uma porta imensa que se abre para os produtores nacionais e que nós, produtores de lacticínios, teremos de saber agarrar e aproveitar», admite José Pedro Pinto. O CEO [Chief Executive Officer] da Lactovil adianta que a empresa já tem alguns contactos com importadores chineses conseguidos recentemente numa visita a Xangai e Pequim promovida pelo secretário de Estado da Alimentação e da Investigação Agroalimentar, Nuno Vieira e Brito. «Nesta missão tivemos também a oportunidade de conhecer melhor a realidade do mercado chinês e uma das conclusões é que não tem grande apetência para a compra de queijo. No entanto, existe sempre o nicho de mercado que está a consumir e, num país como a República Popular da China, um pequeno nicho pode apresentar números bem interessantes!», sublinha o diretor-geral da empresa.

Com capitais «cem por cento nacionais», a Lactovil dedica-se à produção e comercialização de queijos há mais de 40 anos. A sua fábrica, situada no lugar da Quinta das Pousadas, é uma das mais importantes do setor, com capacidade produtiva de cerca de 3.000 toneladas/ano. A empresa emprega pouco menos de 40 trabalhadores e tem um volume de faturação superior a seis milhões de euros, tendo «conseguindo ao longos dos últimos anos solidificar e posicionar-se cada vez mais como empresa de referência no setor dos lacticínios em Portugal», garante José Pedro Pinto. Atualmente, a Lactovil produz marcas como “Queijaria das Pousadas”, “Flor da Estrela”, “Montanha”, “O Lavrador” e “Pastor da Beira Alta”, que estão presentes no mercado nacional e em mais de 30 países, nomeadamente Espanha, França, Suíça, Luxemburgo, Alemanha, Rússia, Angola, Moçambique, África do Sul, Estados Unidos da América, Canadá, Brasil e Austrália.



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