Câmara de Pinhel com orçamento de 35,7 ME para 2026 para continuar "a reformar"

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A Câmara de Pinhel tem um orçamento de 35,7 ME para 2026, aprovado pela maioria PSD no executivo com os votos contra dos dois vereadores do movimento independente “Unidos Por Pinhel”. São mais 2,7 milhões de euros face ao orçamento em vigor.

“É um orçamento de ambição, audácia, responsabilidade e rigor, com intervenções reformantes e estruturantes para o concelho, como a aquisição de nove autocarros elétricos para a rede de transporte escolar, a construção do novo mercado municipal, num investimento de cerca de dois milhões de euros, e do novo parque das feiras”, adiantou a presidente da autarquia, Daniela Capelo (PSD) à agência Lusa.

A construção de habitação a custos acessíveis, no âmbito de uma parceria com a Comunidade Intermunicipal Região Beiras e Serra da Estrela e com o Instituto da Habitação e de Reabilitação Urbana (IHRU), é outra prioridade para o próximo ano.

“São alguns dos projetos que nos dão a ambição de querer continuar a reformar o concelho, com obras que podem fazer a diferença na vida dos pinhelenses”, realçou.

Daniela Capelo considerou ainda que o orçamento para 2026 tem “uma tónica muito reformista, mas também a ideia, que está sempre presente na atuação, de não deixar ninguém para trás graças a aposta muito grande na ação e intervenção social”.

O município de Pinhel, no distrito da Guarda, vai, por isso, continuar a apoiar as obras e investimentos das IPSS e a rede solidária do medicamento – que disponibiliza medicamentos gratuitos aos munícipes com carências económicas.

Outro projeto “estruturante e fundamental” é a continuidade do protocolo com a Fundação Álvaro de Carvalho, em que a autarquia suporta 50% do valor das cirurgias às cataratas dos residentes “que não têm possibilidade de ser operados no privado, ou a quem o Serviço Nacional de Saúde não dá resposta”.

O município também atribuirá bolsas aos estudantes do ensino superior e aos alunos carenciados que frequentam as escolas do concelho.

Daniela Capelo destaca igualmente a requalificação da EB2 de Pinhel, orçada em 6,8 ME, e a criação da rede de transportes escolares elétrica.

“É um investimento de quatro ME parcialmente financiado pelo PRR [Plano de Recuperação e Resiliência], pelo que o município tem de assumir uma parte”, recordou.

A autarca revelou que algumas destas obras têm financiamento garantido, como é o caso do mercado municipal, do Parque das Feiras, da habitação a custos acessíveis e da ampliação da zona industrial, entre outras.

Já a reabilitação da EB2 está a aguardar oportunidade de candidatura, pelo que “deve estar planeada e inscrita no Orçamento”, tal como outros projetos como a valorização ambiental e desportiva da Barragem de Vascoveiro e a Estratégia Local de Habitação, num valor total estimado de 17 milhões de euros.

O orçamento da Câmara de Pinhel para 2026 conjuga “ambição e a tentativa de não desperdiçar fontes de financiamento externos, sejam fundos comunitários, do PRR ou do Orçamento do Estado, pois os orçamentos dos municípios de pequena dimensão são muito escassos para a ambição e a vontade de fazer”, disse Daniela Capelo.

O vereador António Ruas justificou à agência Lusa que os dois eleitos do movimento independente “Unidos Por Pinhel” votaram contra por “não haver qualquer novidade acrescida relativamente ao plano anterior”.

“Entendemos que este orçamento deveria ter outros projetos, iniciativas e horizontes, para o concelho de Pinhel”, disse.

O antigo presidente da Câmara do PSD lamentou, por exemplo, haver rubricas “praticamente inexistentes”, como o apoio às freguesias ou à agricultura.

“Pinhel é um concelho essencialmente agrícola, com imensos produtores de vinho, muita pecuária, e não entendemos como o orçamento é praticamente omisso relativamente a essa matéria”, apontou.

O Orçamento para 2026 carece ainda da aprovação da Assembleia Municipal, que vai reunir este mês.


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