“A dona Helga Silva deixou à Câmara Municipal de Pinhel um conjunto de património com o objetivo de construir na aldeia de que era originária, que é Pala, uma residência para artistas, e, portanto, estamos a dar cumprimento a essa última vontade”, adiantou a presidente do município, Daniela Capelo, à agência Lusa.
A abertura do concurso público para a reabilitação do imóvel foi publicada em Diário da República, na segunda-feira, com um preço base de 122 mil euros, acrescidos de IVA, e um prazo de execução de nove meses.
Daniela Capelo acrescentou que o município já elaborou o projeto e adquiriu uma área adjacente à casa da família Silva para ampliar o espaço disponível.
A Casa Bernardo Silva foi legada ao Município de Pinhel, no distrito da Guarda, em 2011, por Helga Silva, falecida em 16 de agosto desse ano.
Em contrapartida, a autarquia ficava obrigada a destinar o imóvel ao acolhimento e estadias temporárias de artistas, com o nome de Casa Bernardo Silva, pai da testadora.
A testamenteira devia ainda proceder à venda de dois imóveis da testadora, “revertendo o 8/12 do respetivo valor para a manutenção da Casa Bernardo Silva”, é referido no testamento.
A demora em avançar com o projeto resultou na condenação da Câmara de Pinhel pelo Tribunal Central Administrativo Sul, em 21 de outubro de 2021, no âmbito de uma ação administrativa popular.
“Vamos agora dar início à empreitada para que se cumpra a última vontade da dona Helga Silva em ter na sua freguesia um projeto destinado à residência de artistas”.
Segundo a autarca, o pai da benemérita era “uma pessoa que gostava muito de cultura e que estaria ligada à cultura e às artes”.
“A obra está a concurso, vamos ver como reage o mercado, que não está fácil, pois há algumas dificuldades em conseguir fazer adjudicações. Mas queremos dar sequência ao projeto o quanto antes para que se possa cumprir essa última vontade”, assumiu Daniela Capelo.
Quando estiver concluído, o espaço vai acolher artistas “das diversas áreas artísticas nacionais, da região e, talvez, da freguesia, a criar e a trabalhar em Pala”, disse a presidente do município de Pinhel.
Para dinamizar o futuro edifício cultural, a autarquia vai “trabalhar em parceria com associações, fundações e instituições desta área, porque o compromisso não é só de construir, é também de manter o projeto com dinâmica e a servir o propósito para o qual foi pensado”.
Os trabalhos de reabilitação vão ser suportados exclusivamente pela Câmara de Pinhel.
“O apoio que temos é o que foi concretizado através do legado de um património financeiro e não só, portanto, a Câmara vai afetar todo esse património recebido para o cumprimento deste desejo da dona Helga Silva”, indicou Daniela Capelo.






