Biblioteca da Guarda evoca vida e obra de Alexandre O’Neill

Em julho e agosto, a Biblioteca Municipal Eduardo Lourenço (BMEL) dá destaque à vida e à obra de Alexandre O’Neill (1924-1986), promovendo duas exposições, uma mostra bibliográfica, uma conferência e a exibição de um documentário.

O’Neill, um dos fundadores do Movimento Surrealista de Lisboa, é considerado um importante poeta desta corrente em Portugal.

Tal como a maioria dos artistas portugueses, não pôde viver da sua arte, daí afirmar viver de versos e sobreviver da publicidade. Sendo da sua autoria o conhecido lema publicitário “Há mar e mar, há ir e voltar” e o poema “Gaivota” interpretado por Amália e mais recentemente imortalizado por Sónia Tavares. Foi também intérprete de uma generosa “biografia do amor”. Do seu vasto currículo, constam diversas colaborações para jornais, revistas, televisão, entre outras.

O destaque a Alexandre O’Neill começa a 6 de julho com a apresentação ao público de exposições dedicadas ao escritor, nomeadamente “Vida e obra de Alexandre O’Neill”, uma exposição que permite conhecer de forma simples o percurso da vida e obra de O’Neill; “Divertimento com sinais ortográficos” (de Alexandre O’Neill), criada a partir da “caixinha de tesouros” do designer Sebastião Rodrigues, na redação da revista Almanaque, onde “nado e criado, Alexandre O’Neill abriu orelha sobre o silêncio embaraçado daqueles elementos tipográficos e lhes foi registando as vozes”.

Faz ainda parte da programação dedicada a O’Neill, a conferência “A tristeza contentinha de Alexandre O’Neill”, por Maria Antónia Oliveira, a ter lugar dia 14 de julho, às 18h00.

Maria Antónia Oliveira vem falar do autor e da sua obra e das diferentes formas de descobrir um escritor, como é o caso mais direto da leitura da obra e outras aproximações como por exemplo a edição dos seus escritos, contar a sua história de vida ou «divagar» sobre o que este escreveu.

Para além de editora da obra de O’Neill, Maria Antónia Oliveira é autora de vários livros, entre os quais o que dá nome a esta conferência, “A Tristeza Contentinha de Alexandre O’Neill”, que lhe valeu o Prémio de Revelação de Ensaio APE/IPLL, 1990. É ainda autora de vários ensaios sobre biografia (teoria) e biografias de escritores portugueses.

Por fim, a BMEL programou para o dia 31 de julho, às 18h00, o documentário “Tomai lá do O’Neill”, de Fernando Lopes.
Para Fernando Lopes, este filme trata, sobretudo, das vivências criativas, sentimentais e afetivas de um poeta, um dos maiores do nosso século XX, com quem teve o privilégio e conviver.

Mas muitas mais propostas constituem a programação da BMEL. E nada melhor que o lançamento de um livro, logo no dia 1 de julho, para dar início às iniciativas da biblioteca. Trata-se de “correspondências”, de João Pedro Delgado, a apresentar por César Viana às 15h30, numa organização do CalaFrio. “Correspondências” é o Caderno nº 4 do CalaFrio e constitui uma coleção de memórias poéticas desigualmente simuladas. Um conjunto de textos que não pretendem mais do que relatar quotidianos possíveis. João Pedro Delgado é músico, violetista e investigador na área da performance musical.

Meia hora mais tarde (16h00), o Calafrio promove no mesmo espaço a sessão nº20 do “Ciclo Contradizer”, intitulada “Para o Vasco”. Sessão especial de poesia, cinema e música dedicada a Vasco Queiroz, médico e ativista cultural, recentemente desaparecido.

Em tempo de férias, os mais novos podem disfrutar de atividades ao ar livre nos espaços verdes da BMEL, participando em “Acampar com histórias”, no dia 7 a partir das 18h00. Trata-se de uma iniciativa que tem como objetivo dar às crianças a oportunidade de se envolverem num ambiente fantástico de natureza, livros, autores, contadores de histórias, criando assim uma apetência maior à leitura através de atividades lúdicas e literárias.
Uma iniciativa da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros, com o apoio da BMEL.

Julho será sobretudo um mês importante no que respeita à apresentação ou lançamento de livros.
Assim, no dia 8, às 18h00, será apresentado “O menino que sonhava com uma casa de chocolate”, de Susana Campos, uma história sobre a adoção onde o sentimento de partilha e pertença são a tónica principal. Susana Campos iniciou a sua caminhada na escrita com poesia, lançando o seu primeiro livro infantil “O menino que tinha medo do escuro”, em 2014. Tem ainda participado em antologias portuguesas e brasileiras.

Já no dia 12, às 18h00, será apresentado por Odete Ferreira, o livro “Vá para fora cá dentro!”.
Um livro que reúne os trabalhos poéticos criados no âmbito da Oficina de Escrita e Leitura em Voz Alta, dinamizada pela Biblioteca Municipal Eduardo Lourenço no estabelecimento Prisional da Guarda, sob orientação de Américo Rodrigues.

“Desencantos e (alguns) gritos” é o nome da obra de Carlos D’Abreu, a apresentar por Lima Garcia, no dia 17, às 18H00.
Trata-se do primeiro livro de poesia publicado por Carlos d’Abreu, que cedo se aproximou da poesia, publicando em jornais, revistas (entre elas a Praça Velha) e uma ou outra antologia.
“Libertário por timbre, geógrafo, arqueólogo e historiador por formação, investigador por vocação, Carlos D’Abreu, dedica o seu trabalho sobretudo aos territórios e patrimónios da Ibéria, da Raia e do Durius.”

Dia 28, às 18h00, haverá outra apresentação. Trata-se do livro “Psicopaita – Tudo o que as crianças fazem que dá vontade de as esganar”, de Luís Coelho. Luís Coelho nasceu em Coimbra, cresceu na Guarda e vive em Lisboa. É criativo, publicitário e humorista. Segundo ele, o “seu primeiro livro – Faz-te Homem – provocou uma crise no seu casamento. Este promete acabar de vez com a sua família.”
Trata-se de uma iniciativa do Clube Escape Livre e da Editora Objetiva.

A oficina “Bichezas e estranhezas: gravura para crianças”, orientada por Sofia Morais, realiza-se dia 22 e destina-se a famílias com crianças dos 6 aos 10 anos. Partindo da técnica “cadáver esquisito” adotada por artistas surrealistas para provocar a livre associação de imagens, a orientadora propõe-se criar um desenho coletivo, um bicho estranho.
Sofia Morais é designer gráfica e ilustradora freelancer. É coautora do livro “Olá – Livro do Bebé dos 0-6 anos”, expõe regularmente o seu trabalho e tem colaborado em diversas publicações e projetos que levam a ilustração para além do papel.

Nos dias 6, 13, 20 e 27 de julho, e 3, 10, 17, 24 e 30 de agosto, realizam-se sessões de “A Quinta dos Contos”, para crianças dos 3 aos 10 anos.

Como já vem sendo hábito em anos anteriores a Biblioteca Itinerante vai estar na Praia Fluvial de Valhelhas, de 24 a 28 de julho, das 14h30 às 18h30, a proporcionar momentos de leitura para todos. Nos dias 24 e 26 à tarde decorrerão oficinas de expressão plástica para as crianças.

 




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