Beiras e Serra da Estrela esperam que “revisão de portagens” passe pela abolição

“A abolição das portagens nas antigas Scut (Via sem Custos para o utilizador) seria o instrumento que mais justiça poderia fazer ao Interior” diz o presidente da CIMBSE.

A Comunidade Intermunicipal das Beiras e Serra da Estrela (CIMBSE) espera que a revisão de portagens para o Interior, ontem admitida pelo Governo, se traduza na abolição do pagamento ou, no mínimo, numa redução de 50%.

“Se a consequência dessa possibilidade for a abolição, obviamente que vemos isso com bons olhos, até porque foi o que sempre pedimos, porque é aquilo que todos os agentes económicos da região têm estado a pedir ‘a gritos’ e também porque é aquilo que é efetivamente necessário para ajudar a região”, referiu em declarações à agência Lusa o presidente da CIMBSE, Paulo Fernandes.
O ministro Adjunto, Pedro Siza Vieira, garantiu hoje no parlamento que o executivo “usará todos os instrumentos que tem ao seu dispor” na prioridade que é desenvolver o Interior e travar o declínio das últimas décadas.

O governante assegurou ainda que o Governo “não deixará de utilizar instrumentos” como “os incentivos fiscais”, a “relocalização de serviços públicos” ou ainda a “revisão das portagens” nas estradas que ligam ao Interior.

Em reação às declarações do ministro, Paulo Fernandes, que é simultaneamente presidente da Câmara do Fundão, salientou ainda que a abolição das portagens nas antigas Scut (Via sem Custos para o utilizador) seria o instrumento que “mais justiça” poderia fazer ao Interior, principalmente após o que aconteceu com a catástrofe dos incêndios deste ano e o “consequente aumento da pressão sentida ao nível do abandono e desertificação do território”.

“Se já tínhamos problemas, agora temos ainda mais e de facto o que precisamos é de respostas como esta, que mudem os custos de contexto e ajudem as pessoas a ficarem e a investirem”, salientou, reiterando que “as portagens penalizaram fortemente a região”.
Por outro lado, Paulo Fernandes reivindicou que, “se em causa estiver apenas uma redução, então que essa redução seja no mínimo de 50%, de modo a corresponder ao Produto Interno Bruto (PIB) per capita da região, que é sensivelmente 50% inferior ao dos grandes centros urbanos.

Classificando como “positiva esta aparente mudança de posição” relativamente ao que lhe tinha sido transmitido recentemente pelo secretário de Estado dos Transportes, o autarca também deixou votos de que a medida entre em vigor no “mais curto espaço de tempo possível”.

“Esperamos não estar apenas perante mais uma mera declaração de intenções e, tendo em conta que estamos em sede de discussão do Orçamento do Estado, parece-nos que faria todo o sentido que esta revisão fosse imediatamente contemplada, de modo a entrar em vigor já em janeiro”, acrescentou.

A CIMBSE é constituída por 12 municípios do distrito da Guarda (Almeida, Celorico da Beira, Figueira de Castelo Rodrigo, Fornos de Algodres, Guarda, Gouveia, Manteigas, Meda, Pinhel, Seia, Sabugal e Trancoso) e por três do distrito de Castelo Branco (Belmonte, Covilhã e Fundão).

A região é servida diretamente pela A25 (Aveiro/Vilar Formoso) e A23 (Guarda/Torres Novas).




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