BE questiona Governo sobre alegado incumprimento de antiga empresa de Seia

O Bloco de Esquerda (BE) questionou o Governo sobre o alegado incumprimento de um acordo da administração da antiga fábrica têxtil Beiralã, de Seia, para com os ex-trabalhadores, anunciou hoje o partido.

“Tem o Ministério da Economia conhecimento desta situação? Como irá o Ministério da Economia proceder de modo a garantir que estes trabalhadores recebem os salários em atraso e que o acordo laboral será cumprido?”, questiona a deputada do BE Mariana Aiveca numa pergunta dirigida ao Ministério da Economia através da Assembleia da República.

Segundo o BE, a empresa têxtil Beiralã, hoje designada por Tecswin, entrou em processo de insolvência há sete anos, deixando mais de uma centena e meia de trabalhadores no desemprego.

“Em 2009, no seguimento de um processo de viabilização, a administração da empresa localizada em Seia acordou a readmissão de 150 operários e o pagamento de um montante de cerca de três mil euros a cada um, correspondente a salários e outras prestações em atraso, tendo os trabalhadores abdicado das suas indemnizações”, explica.

Os ex-trabalhadores da Beiralã reuniram-se no mês de fevereiro para exigirem o cumprimento do acordo laboral e para reivindicarem “o cumprimento dos pagamentos em atraso, que ascendem a três milhões de euros, mas também a readmissão do número de trabalhadores prometido”, sustenta o BE.

No documento, Mariana Aiveca recorda que a Beiralã beneficiou de apoios públicos para a sua recuperação e viabilização e os trabalhadores também se comprometeram “no esforço coletivo pela recuperação da empresa”.

“Perante este quadro, é uma questão de justiça exigir que os compromissos assumidos pela empresa sejam cumpridos com rigor”, defende a deputada.

No dia 19 de fevereiro, cerca de uma centena de alegados lesados estiveram concentrados, entre as 7h30 e as 17 horas, à porta da antiga fábrica Beiralã, com o objetivo de falarem com o administrador.

Segundo Carlos João, presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Setor Têxtil da Beira Alta, o problema afeta 207 pessoas que decidiram agora pedir os valores em falta, porque “o empresário tem andado a prometer, de ano para ano, que paga” e também porque “parte das instalações da fábrica vão ser alugadas” a uma superfície comercial.

“Nós não queremos inviabilizar o negócio, nós queremos é que o empresário pague o dinheiro” que está em dívida, sustenta o dirigente sindical.




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