O principal encontro nacional dedicado à biotecnologia e às ciências da vida decorreu nos dias 23 e 24 de setembro, no TagusPark, em Oeiras, reunindo investigadores, empresas, investidores e outros agentes ligados ao setor.
Entre as tecnologias apresentadas estiveram os “Pensos Multifuncionais para o Tratamento de Feridas Crónicas”, desenvolvidos através da tecnologia Colorwound, e uma “Formulação em Gel para o Tratamento de Intoxicação por Fármacos”.
O penso inteligente incorpora um sensor de pH numa película adesiva, permitindo acompanhar a evolução de uma ferida através da alteração da sua cor. A tecnologia foi concebida para apoiar os profissionais de saúde na monitorização de feridas crónicas, nomeadamente na deteção de sinais associados a infeção e no acompanhamento do processo de cicatrização.
Segundo a UPG, o penso apresenta inicialmente uma tonalidade vermelha, podendo mudar para rosa quando o pH da ferida aumenta, situação que pode estar associada à presença de exsudado ou microrganismos. Durante o processo de cicatrização, a cor altera-se gradualmente para amarelo.
A tecnologia Colorwound foi coordenada por Sónia Miguel, docente e investigadora da UPG, que destaca a capacidade do penso para “proteger, tratar e monitorizar feridas”, através da informação transmitida pela mudança de cor.
A segunda tecnologia apresentada consiste numa formulação em gel para administração oral destinada ao tratamento de intoxicações por fármacos. A solução utiliza biomassa de diferentes espécies de microalgas, nomeadamente Chlorella sorokiniana, Chlorella vulgaris e Tetradesmus obliquus.
A biomassa, que pode ser utilizada livremente ou encapsulada em partículas, foi estudada pela sua capacidade de adsorver diferentes fármacos no trato gastrointestinal. A encapsulação permite ainda proteger a biomassa do ambiente ácido do estômago e favorecer a sua ação ao nível intestinal.
De acordo com Paula Coutinho, docente e coordenadora científica da unidade de investigação BRIDGES – Biotechnology Research for Innovation and DesiGn of HEalth ProductS, a formulação poderá ter aplicação no tratamento de intoxicações por fármacos tanto em seres humanos como em animais, abrangendo os setores farmacêutico, médico e veterinário.
As duas tecnologias foram desenvolvidas pela UPG através da unidade de investigação BRIDGES e do Gabinete de Transferência de Tecnologia e Valorização do Conhecimento, tendo sido apresentadas a potenciais parceiros da indústria e investidores.
Para o reitor da UPG, Joaquim Brigas, a participação no Biomeet constitui uma oportunidade para divulgar o trabalho científico desenvolvido pela instituição e aproximar a investigação do tecido empresarial.
“A inovação e a valorização da investigação científica são pilares estratégicos para transformar o conhecimento em valor e fortalecer a ligação entre a academia e o tecido empresarial”, afirma.
A participação da Universidade Politécnica da Guarda no Biomeet 2026 integrou-se no projeto INOVC+ – Ecossistema de Inovação Inteligente da Região Centro, procurando reforçar a ligação entre investigação e inovação e promover a valorização de tecnologias com potencial de aplicação nas áreas da saúde e da biotecnologia.






