Territórios de fronteira considerados “únicos” e de “enorme centralidade”

A secretária de Estado da Valorização do Interior disse, ainda, que no outro lado da fronteira “existe um potencial de mercado imenso”.

A secretária de Estado da Valorização do Interior, Isabel Ferreira, considerou ontem que os territórios de fronteira, do ponto de vista geográfico, devem ser assumidos como “territórios únicos” e de “uma enorme centralidade” no contexto ibérico e europeu.

“E [o país deve] tirar partido disso e olhar para os dois lados. Porque nós, às vezes, quando estamos no Interior, temos mais tendência a olhar só para o nosso litoral e esquecemos o outro lado da fronteira”, defendeu a governante, na Guarda.

Isabel Ferreira falava aos jornalistas após ter participado na sessão de abertura de mais uma sessão das Conferências da Guarda, desta vez sobre a temática “Planos de Investimento 2014-2022”, promovida pelo município.

A secretária de Estado da Valorização do Interior disse, ainda, que no outro lado da fronteira “existe um potencial de mercado imenso” e um número populacional “também muito maior”.

Em sua opinião, o país deve “assumir essa centralidade” relativamente ao posicionamento geográfico dos territórios transfronteiriços.

“Para isso, obviamente, temos que desenvolver várias iniciativas de valorização da fronteira. Até mesmo trabalhar na partilha de recursos, nomeadamente de serviços dos dois lados”, defendeu.

A governante deixou claro que o Governo está “muito empenhado naquilo que é toda a cooperação territorial europeia, em particular a cooperação transfronteiriça”.

Apontou ainda que na região da Guarda são conhecidas “muitas iniciativas que são feitas ao longo de toda a fronteira”, ligadas ao turismo, que “são um exemplo até para todo o país”, de eventos que “podem atrair muitas pessoas e que dinamizam também sócio e economicamente” os territórios.

Na intervenção proferida na sessão realizada na Sala António Almeida Santos, no edifício dos Paços do Concelho da Guarda, Isabel Ferreira elencou várias medidas anunciadas recentemente pelo Governo para desenvolver os territórios do Interior.

O presidente da Câmara da Guarda, Carlos Chaves Monteiro (PSD) disse que “as instituições produtoras de investigação, de conhecimento e de desenvolvimento” são “determinantes” para o futuro dos territórios mais desfavorecidos do país.

A sessão incluiu uma mesa redonda, moderada pelo vice-presidente do município, Sérgio Costa, com a participação de José Clemente (diretor de Empreendimentos da Infraestruturas de Portugal), Bernardo Campos (secretário técnico do Centro 2020 da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro), Manuela Matos (vogal executiva da Comissão Diretiva do POSEUR – Programa Operacional Sustentabilidade), Inês Andrade (diretora regional da Administração da Região Hidrográfica Norte) e Ana Serejo (diretora de Serviços de Investimento da Direção Regional de Agricultura e Pescas do Centro).

As Conferências da Guarda surgiram em 2014, por iniciativa da Câmara Municipal, com o objetivo de “mostrar a visão de especialistas sobre várias temáticas do desenvolvimento, numa reflexão sobre a Guarda de ‘fora para dentro’, trazendo uma abordagem profissional e mais objetiva sobre a cidade e o concelho”, segundo a autarquia.

Com a iniciativa, o município pretende também “’chamar’ os guardenses a participar ativamente no planeamento da sua cidade”.



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