Bispo da Guarda defende que novas tecnologias devem promover o trabalho

O bispo da Guarda disse ontem que as novas tecnologias devem promover o trabalho, em vez de o prejudicarem, e que o rendimento obtido com a utilização de máquinas deve ajudar à criação de novos empregos.

“As novas tecnologias não podem prejudicar o trabalho, têm que o promover, têm que o aprofundar e, eventualmente, criarem condições para que haja trabalho”, disse o bispo Manuel Felício, na Guarda, durante uma palestra intitulada “Solidariedade Intergeracional e gestão de recursos naturais”, proferida no âmbito do segundo aniversário da Cápsula do Tempo Guarda 2050.

Para justificar a sua tese, o prelado diocesano deu o exemplo de uma empresa que apostou na evolução tecnológica e passou a ter menos empregados, mas mais lucros.

“Se uma empresa tinha 100 trabalhadores e produzia ‘x’, depois de introduzir tecnologia de ponta passou a empregar apenas 50 e a produzir dois ‘x’. A quem pertence esse excedente? Às máquinas? Elas não comem, não gastam saúde, não gastam segurança social, nem têm família para sustentar”, observou.

Referiu que “é preciso pagar os gastos com a compra e a manutenção das máquinas, mas ficará certamente no ‘x’, que também corresponde a pagamentos de salários, uma margem de excedentes que devem cumprir as finalidades sociais das empresas”.

“E, dentro dessas finalidades sociais, cabe o apoio a empregos que não geram rendimento imediato ou iniciativas empresariais que as pessoas desejem tomar”, defendeu.

Manuel Felício disse ainda que no estilo de vida atual se assiste à prática “de um consumo excessivo que gera níveis de desperdícios escandalosos”.

“Abusa-se da prática do descartável, do usar e deitar fora, verifica-se mesmo a incapacidade de muitas pessoas, na atualidade, para gerirem a disponibilidade [financeira] que lhes pertence e que aplicam muitas vezes em bens supérfluos, deixando de lado os bens mais essenciais”, disse.

Observou que “contraem-se empréstimos bancários para férias e descura-se a aquisição e reabilitação de casa própria ou mesmo meios de saúde e de educação indispensáveis ao bem-estar da família, a começar pelas crianças”.

O Clube Escape Livre e a Rádio Altitude da Guarda assinalaram ontem o segundo aniversário do encerramento da Cápsula do Tempo Guarda 2050 que contém testemunhos, fotografias e objetos de 40 personalidades sobre o presente e o futuro da região.

Além da palestra de Manuel Felício, realizada no auditório dos serviços sociais do Instituto Politécnico, foi feita a apresentação de mais uma chávena de autor e de coleção, alusiva à efeméride.

Na Encosta do Tempo, junto à Torre de Menagem, onde a cápsula está enterrada, foi esculpido o ano de 2015 no Passeio do Tempo e também foi feita a plantação de mais uma árvore.

A Cápsula do Tempo Guarda 2050 foi um projeto que assinalou os 40 anos do Programa Escape Livre e os 65 Anos da Rádio Altitude, a 1 de julho de 2013.



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