Ex-diretor do MAAT é agora diretor executivo da Candidatura da Guarda a Capital Europeia 2027

“Sinto-me muito honrado por poder contribuir com a minha experiência e conhecimento para trazer ambição para esta candidatura.”

O arquiteto e designer Pedro Gadanho, ex-diretor do Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia (MAAT), em Lisboa, e curador do departamento de arquitetura e ‘design’ do Museum of Modern Art (MoMA), em Nova Iorque, é a escolha do município da Guarda para o cargo de diretor executivo da Candidatura a Capital Europeia da Cultura.
Pedro Gadanho reage ao convite feito pelo Município declarando que:

“Foi com enorme satisfação, mas também com um agudo sentido de responsabilidade, que aceitei o desafio da município da Guarda para liderar a candidatura de uma rede de cidades do interior português a Capital da Europeia da Cultura de 2027. Face aos desafios que as cidades do interior enfrentam nas próximas décadas —entre fenómenos de desertificação, sustentabilidade territorial e crise ecológica— a cultura não pode ser aí encarada senão como um instrumento estratégico transversal, uma ferramenta dinâmica situada entre política e economia, entre inovação tecnológica e bem-estar social, entre cidade e natureza. Sinto-me muito honrado por poder contribuir com a minha experiência e conhecimento para trazer tal ambição para uma candidatura que, acima de tudo, é uma oportunidade para repensar uma identidade regional específica, bem como ideias de resiliência, inclusão social e mudança de comportamentos.”

Esta escolha de um perfil claramente internacional, com raízes na Beira Interior e a noção das necessidades e oportunidades locais, representa um reforço determinado em nome de uma candidatura forte – unindo 17 municípios – que reflita os grandes desafios que a iniciativa exige como projeto estratégico de desenvolvimento de futuro, muito para lá de mero programa de duração anual que responda aos critérios estabelecidos para as capitais europeias da Cultura.

Nascido na Covilhã, em 1968, divide a sua atividade profissional entre arquitetura, curadoria, escrita e produção cultural.

No presente momento é Loeb Fellow na Universidade de Harvard, em Cambridge, Massachussets, nos Estados Unidos, que com mais oito investigadores de várias nacionalidades desenvolve um trabalho de pesquisa e discussão nas áreas do design, sustentabilidade, transportes, artes e cultura para o futuro das cidades.

Anteriormente foi Curador de Arquitetura Contemporânea no Museum of Modern Art, em Nova Iorque, e o primeiro diretor do MAAT, Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia, em Lisboa.

À frente do MAAT programou mais de 50 exposições e foi curador de intervenções site-specific com artistas como Dominique Gonzalez-Forster, Carlos Caraicoa, Bill Fontana, Tomás Saraceno e Tadashi Kawamata. Foi o curador de duas grandes mostras interdisciplinares: Utopia/Distopia, em 2017, e Eco-Visionários, Arte e Arquitecura Após o Antropoceno, em 2018.

Enquanto curador do MoMA, fez a curadoria de várias mostras inovadoras do respectivo acervo, tais como 9+1 Ways of Being Political, Cut’n’Paste, Conceptions of Space, e Endless House. Para além da coordenação do Young Architect’s Program, foi o curador de duas grandes exposições: Uneven Growth, Tactical Urbanisms for Expanding Megacities, com a Vienna Biennale, 2014, e A Japanese Constellation: Toyo Ito, SANAA and Beyond, 2016.

Anteriormente foi comissário de “Metaflux,” representação portuguesa à Bienal de Veneza de Arquitectura de 2004 e de mostras internacionais como “Post.Rotterdam,” para o Porto 2001, “Space Invaders,” para o British Council UK, “Influx,” para a Fundação de Serralves, “Pancho Guedes, An Alternative Modernist,” para o Swiss Architecture Museum. Foi também o curador responsável pelo programa Habitar Portugal 06-08, para a Ordem dos Arquitectos, e de Performance Architecture, para a Capital Europeia da Cultura de 2012, em Guimarães.

Gadanho é doutorado em Arquitetura pela Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto (F.A.U.P.), tendo defendido Tese de Doutoramento com o tema “Arquitectura e Mediatização Generalista 1990-2005” em 2007. Licenciou-se na F.A.U.P, e foi bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian para realização do Mestrado “MA in Art & Architecture” no Kent Institute of Art and Design, no Reino Unido, em 1995.

É membro fundador e diretor do CUC, Centro Cultura Urbana Contemporânea, e, entre 2000 e 2003, integrou a direção da ExperimentaDesign, Bienal de Lisboa.

Entre 2000 e 2012, foi docente universitário na Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto. Foi docente da Universidade Lusíada, entre 1997 e 2000, e ainda professor convidado no curso BIArch, em Barcelona, e na École Speciale d’Architecture, em Paris, ambas em 2011.

Tem desenvolvido uma atividade intensa de conferencista, incluindo apresentações de papers e participações em painéis em universidades como ETH Zurich, Columbia University, Penn State University e Ghent University bem como em instituições culturais do Brasil, Canadá, China, Dinamarca, Egipto, Estados Unidos, India, Itália, Japão, Kuwait, Polónia, Reino Unido, Taiwan, etc. Foi orador convidado em eventos como Art for Tomorrow, organizado pelo New York Times, em 2017, e os simpósios Exhibiting Architecture, Yale University, 2013, e Performing Architecture, Princeton University, 2012, entre muitos outros.

Mantém um perfil internacional na área académica da arquitectura, com presença regular em júris, think-tanks e outros corpos consultivos. Entre 2013 e 2014, foi consultor e proponente do MacArthurs Fellows Program, do Pew Fellowship Programs, e da Rolex Mentor-Protegé Arts Initative. Foi membro dos júris de selecção da Trienal de Oslo de 2019, do Harvard GSD Wheelright Prize 2014, do European Union Prize for Contemporary Architecture – Mies van der Rohe Award, 2013, e da Bienal Colombiana de Arquitectura 2012, entre muitos outros.

Para além do seu blogue ShrapnelContemporary, da edição da colecção Beyond, Short Stories on the Post-Contemporary (Sun Publishers), do livro Arquitectura em Público (Dafne), e da monografia Interiors 01/010, escreve regularmente para diversas publicações nacionais e internacionais. Foi correspondente da revista A10, New European Architecture, e colaborador de revistas como Domus, Damnº, Blue Design e outras. Contribuiu artigos académicos para revistas e livros como OASE, ICAM Print, ou Architecture Beyond Criticism. Foi co-autor de programas televisivos como EXD Magazine, RTP-2, a série inicial de O Traço e o Tempo, SIC-Notícias, e um documentário sobre Pancho Guedes, para a RTP.

Para além de várias montagens de exposições e remodelações de interiores, os seus projetos de arquitetura incluem a Casa Laranja, em Carreço, o Art Center da Fundação Ellipse, em Cascais, o Pavilhão Multiusos para a Feira do Livro de Lisboa de 2002 e a reestruturação do Cinema Passos Manuel, no Porto. Entre 1989 e 1992, colaborou, entre outros, com os arquitectos Eduard Bru, em Barcelona, e João Luís Carrilho da Graça, em Lisboa.




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