Mêda justifica derrotas com dificuldades próprias de um clube do Interior

Segundo o responsável, não existem condições financeiras para contratar jogadores de fora do distrito, porque isso encareceria muito o orçamento do clube.

Os dirigentes e o treinador do Sporting Clube de Mêda justificam as 13 derrotas em outros tantos jogos na Série B do Campeonato de Portugal de futebol com a inexistência de jogadores profissionais, devido aos fracos recursos financeiros.

O clube do distrito da Guarda ocupa, naturalmente, a última posição do campeonato, a 16 pontos da primeira equipa acima da zona de despromoção, mas isso não desanima os responsáveis, que prometem melhorar os resultados durante a segunda volta.

Rogério Afonso, técnico do Mêda, disse hoje que o clube tem um plantel de 19 jogadores amadores, com idades abaixo dos 23 anos, exceto dois, com mais de 30, constituído por quatro estrangeiros, três do distrito da Guarda.

Segundo o responsável, não existem condições financeiras para contratar jogadores de fora do distrito, porque isso encareceria muito o orçamento do clube.

“Temos [de] agarrar os jogadores que vêm para cá, muitos para se mostrarem, mas a um baixo valor. E, é claro, que isso também se reflete na qualidade do nosso jogo”, disse.

Apesar dos maus resultados, disse que a situação não envergonha os jogadores, nem o clube: “Saímos sempre [do campo] de cabeça levantada, de cara lavada, com o intuito de que demos o máximo. (…) Somos todos amadores, treinamos [em período] pós-laboral [à terça-feira], das 20h às 21h30, todos os jogadores têm outro trabalho, uns são estudantes, outros trabalham na agricultura, outros são também [funcionários] camarários, mas toda a gente tem outro emprego”.

Rogério Afonso observou que não é possível “retirar desses jogadores o mesmo potencial” que se retira dos profissionais, assinalando que isso “não é uma desculpa, é um argumento mais do que válido e também justifica” a razão pela qual a equipa conta por derrotas os jogos realizados no campeonato.

A única equipa do distrito da Guarda nos nacionais não tenciona abandonar a competição, pois “desistir é para os fracos” e o técnico lembrou que este ano já ganhou a Supertaça da Beira Interior, disputada em Alcains, Castelo Branco.

Filipe Rebelo, responsável pelas relações públicas do clube, atribuiu também os maus resultados à “falta de apoio” das instituições nacionais.

Por outro lado, devido à situação geográfica, a equipa de Mêda “está colocada na série errada”, tendo o responsável admitido que se fizesse parte da série da região centro existiria “uma identidade diferente com os clubes dessa série”.

“Ao sermos colocados na série norte [Série B], os nossos adversários têm outros argumentos que nós não temos. Sendo certo que a gente se esforça e até temos tido algumas palavras de incentivo por parte dos nossos adversários, que identificam que o clube até pratica um futebol agradável, mas, depois, a verdade é que esse agradável não se concretiza em golos”, lamentou.

Ainda durante este mês serão feitos “alguns acertos”, para que o clube saia de uma situação que não agrada nem à direção nem aos adeptos.

O presidente João Alonso referiu que em alguns jogos a equipa não tem pontuado por “falta de sorte” e “falta de experiência” do plantel: “Temos jogado bem, mas temos um grande problema no ataque e pequenos erros na defesa”, observou.

O dirigente observou que Mêda nunca teve “um futebol tão bonito” como atualmente, mas lamentou que não consiga conquistar a primeira vitória, ou até empate, o que, na sua opinião, parece ser “bruxedo”.

O Sporting Clube de Mêda, fundado em 1946, tem em curso o processo de certificação da escola de formação, que tem cerca de 120 praticantes nas várias camadas.




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