Investimento nas renováveis criará 18 mil postos de trabalho até 2020

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Deloitte prevê que aposta na eólica e hídrica e no solar fotovoltaico deverá adicionar mais mil milhões ao PIB.

O investimento nas energias renováveis promete voltar a acelerar, depois do abrandamento registado nos últimos três anos, provocado pela crise económico-financeira que culminou na intervenção da ‘troika’ e no corte dos apoios ao setor. Até 2020, esta área de negócio deverá criar em Portugal perto de 18 mil novos postos de trabalho, representando um acréscimo de 40% face a 2013. A chamada eletricidade verde contribuirá ainda com cerca de mil milhões de euros para o Produto Interno Bruto (PIB). Mais 40% do que a riqueza gerada no ano passado.
As projeções são da Deloitte e constam do estudo realizado para a Associação Portuguesas das Empresas de Energia Renovável (APREN), tendo por base os objetivos traçados pelo Governo e pela União Europeia.

A consultora revela que o sector da electricidade de origem renovável foi responsável, em 2013, por 2.700 milhões de euros (cerca de 1/6 do PIB), dos quais 55% provêm dos operadores e fabricantes, tendo a energia eólica sido aquela que mais pesou, com 1.500 milhões de euros. A hídrica foi responsável por 910 milhões de euros.

Considerado um dos pilares da política energética nacional, a aposta nas energias renováveis continuará, nos próximos anos, centrada sobretudo na eólica e nas barragens, apesar de se perspectivar um reforço gradual do investimento em projetos solares fotovoltaicos devido à quebra dos custos dos equipamentos.

Segundo o estudo, esta opção estratégica resultará na progressiva diminuição da dependência energética. Em 2013, a renováveis terão já evitado importações no valor de 1.479 milhões de euros, reduzindo em 12,3 pontos percentuais, para 71,7%, o peso das compras de energias fósseis, como carvão e gás natural ao exterior. Uma tendência que se deverá acentuar, até 2020, com a Deloitte a estimar uma redução adicional de 15,3 pontos percentuais.

Outro ponto em destaque é o impacto ambiental, ao nível das emissões de CO2 evitadas pela substituição da produção a partir de centrais térmicas a carvão e gás natural. Em 2013, esse valor foi de 10,6 milhões de toneladas de CO2, equivalente a um ano de emissões do parque automóvel nacional. Até 2020, o estudo prevê que se possa poupar, com base no aumento da capacidade de produção renovável e na previsível subida das licenças de CO2 no mercado internacional, 187 milhões de euros.

A exportação de energia, outras das prioridades da estratégia do Executivo, encontra-se igualmente refletida na análise da Deloitte.

Portugal defende que a União Europeia dificilmente conseguirá cumprir, com tarifas competitivas para os consumidores, as metas de clima e energia a que propôs para 2030. Uma das soluções passa pela importação de eletricidade renovável da Península Ibérica, onde o sol e vento são mais abundantes. A proposta já está na Comissão Europeia e prevê o incremento, em 2030, das interligações eléctricas entre a Península Ibérica e a França, permitindo escoar 25% da capacidade elétrica existente. A meta intermédia para 2020 é de 12%. Hoje, esse número não chega aos 2%.

A Deloitte refere que, caso em 2030, se consiga escoar 10% da energia seria para a Europa, os impactos macro-económicos deste setor para Portugal seriam ainda maiores, na ordem dos 1.080 milhões de euros. Um acréscimo assente essencialmente no aumento da produção solar fotovoltaica. Ou seja, uma subida de 25%, face ao seu cenário base, a que se juntaria ainda a criação de mais 21.123 postos de trabalho e uma redução da dependência energética nacional do exterior para 65,1%.



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