Assinada pelo secretário de Estado da Cultura, Alberto Santos, a portaria justifica a classificação com o cumprimento dos critérios constantes do artigo 17.º da Lei n.º 107/2001, de 8 de setembro, relativos “ao caráter matricial do bem, ao seu interesse como testemunho simbólico ou religioso, ao seu valor estético, técnico e material intrínseco, à sua conceção arquitetónica e urbanística, e à sua extensão e ao que nela se reflete do ponto de vista da memória coletiva”.
Segundo o documento, a Igreja da Misericórdia situa-se na zona central de Algodres, localidade do concelho de Fornos de Algodres, no distrito da Guarda, “na vizinhança da igreja matriz e de um cruzeiro, e entre edificado cuja tipologia e valor patrimonial atestam a importância do local, sede de antigo concelho”.
“Tanto a sua localização, como a sua tipologia, correspondem ao que é habitual para os templos destas irmandades”, lê-se ainda na publicação do DR.
A portaria de classificação acrescenta que a igreja terá sido construída no século XVIII, embora a fundação da Santa Casa da Misericórdia de Algodres tenha sido fundada em 1621.
De acordo com a informação disponível no site da internet do Património Cultural I.P., “não se sabe, ao certo, em que ano foi edificada a igreja, mas uma antiga tradição afirma que esta foi construída no mesmo local e com as pedras provenientes do antigo castelo, cuja existência e configuração permanece, também, por esclarecer”.
A fachada principal tem um “portal de verga reta encimado por singelo frontão interrompido, centrado por motivo concheado, e sobreposto por óculo quadrilobado, adossando-se, à direita, torre com dupla sineira, e à esquerda um púlpito exterior conhecido como a Varanda de Pilatos, protegido por alpendre erguido em meados do século XX”.
Nesse lado fica também o edifício da Santa Casa, que comunica com o interior do templo através da tribuna dos mesários.
“No interior, de nave única com teto de madeira pintado, destacam-se dois pequenos altares de talha dourada e policromada, do final do século XVIII, a tribuna e o retábulo-mor, de talha dourada joanina, seguramente contemporâneo da edificação do templo”.
Já na sacristia conserva-se “um tríptico de boa pintura, datável do século XVII, alusivo à vida da Virgem, incluindo uma representação de Nossa Senhora da Misericórdia com doadores”, realça o Património Cultural.






