Hotel na Covilhã cria rotas para descobrir a “Manchester portuguesa”

O hotel passou a ter como tema a lã e a história dos lanifícios que faz parte do ADN da Covilhã – cidade que era conhecida pelas suas indústrias “panos finos”.

Visitar fábricas de lanifícios ou os 36 pontos marcantes de ‘street art’ na Covilhã, onde não faltam de murais de Vhils, são roteiros organizados pelo hotel Puralã Wool Valley, que se assume como um “hub” do destino Serra da Estrela”
Foi uma reviravolta total, a que levou o antigo Hotel Turismo da Covilhã, hoje convertido no Puralã Wool Valley, e que se propõe ser “mais que um hotel, um hub do próprio destino serra da Estrela”.

O hotel passou a ter como tema a lã e a história dos lanifícios que faz parte do ADN da Covilhã – cidade que era conhecida pelas suas indústrias “panos finos” já nos relatos de Gil Vicente. Revisitar todo o património industrial da Covilhã associado aos lanifícios é uma das propostas do Puralã, que desenhou uma série de roteiros que estão disponíveis aos hóspedes através de uma App.

“Conseguimos com a reabertura do hotel já estar num alinhamento diferente daquele que tínhamos no antigo Hotel Turismo da Covilhã”, salienta Luís Veiga, administrador-executivo do grupo Natura IMB, proprietário do Puralã Wool Valley.

“No segundo trimestre já tivemos resultados bastante satisfatórios, em que crescemos praticamente 30% face ao ano passado e antes desta remodelação”, avança Luís Veiga.

“Estamos a atingir novos segmentos de mercado, evidenciando-se um grande crescimento do mercado francês e brasileiro, além do mercado espanhol, que já é normal”. Neste campo, o responsável hoteleiro destaca ainda que “podíamos ter muito mais turistas espanhóis se não fosse o problema das portagens, que são um grande entrave ao desenvolvimento turístico de todo o interior”.

O hotel Puralã surgiu renovado após investimentos de €1,5 milhões, num projeto que viu a candidatura aprovada aos fundos do Portugal 2020, valorizando o foco desta unidade em dar a conhecer a história dos lanifícios na região. Abriu as portas em ‘soft opening’ em dezembro do ano passado, embora a inauguração oficial tenha sido a 2 de junho.

O hotel tem 100 quartos e suítes, e toda a sua decoração, além da fachada exterior, tem como base as três cores tipicamente associadas à lã: cru, castanho escuro e castanho claro.

Roteiros para ver arte urbana ou para tirar selfies

O tema na lã é o ponto forte do hotel Puralã, a começar pela decoração. “Quisemos que esta temática estivesse à vista logo à entrada, além da vivência com equipamentos que eram usados nas fábricas”, refere o responsável do grupo hoteleiro, lembrando que a história da lã também é destacada no hotel através de um mural com dois metros onde consta a cronologia desta indústria em ligação à cidade.
Um dos elementos diferenciadores do hotel Puralã é ter criado uma série de roteiros “inovadores” no objetivo de conhecer a Covilhã dirigidos a públicos diferentes, com “dicas únicas” sobre a “Manchester portuguesa”.

“São percursos preparados por uma equipa de guias, recomendando o que o turista normalmente não vê, e que são essenciais para perceber a cidade: um caminho, um artesanato, algo de único”, frisa Luís Veiga. “Isto nunca tinha sido feito na região, um hotel posicionar-se como hub do destino, e reunir informação sobre as aldeias históricas ou outras atrações culturais à volta da Covilhã”.

O Puralã preparou uma série de roteiros, que incluem desde propostas para famílias até para pessoas interessadas especificamente em tirar ‘selfies’. Os clientes do hotel podem seguir estes roteiros usando o Smartphone, uma vez que o seu perfil é identificado logo no momento em que fazem o ‘check in’.

O destaque nestes novos roteiros vai para o New Hand Lab, um espaço criativo e de ‘coworking’ que resulta da reabilitação da centenária fábrica de lanifícios António Estrela – ela própria erigida sobre uma fábrica dos séc. XVII – e que agora se posiciona como cenário ideal para tirar fotografias ou ‘selfies’, além de ponto marcante para descobrir a história da cidade.

No campo da arte urbana, outro dos pontos fortes dos roteiros do hotel Puralã, Luís Veiga enfatiza que a Covilhã “é a cidade onde a ‘street art’ está mais explícita, tendo 36 pontos relevantes a visitar, onde não faltam murais de Vhils”. E adianta que o seu grupo “está a receber operadores turísticos estrangeiros que trazem turistas cuja motivação principal é ver arte urbana, e nesse aspeto a Covilhã é uma grande atração turística”.




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