Governo considera que revitalização do Interior passa pela aposta no setor primário e no turismo

A concretização do Plano de Revitalização do Pinhal Interior (PRTI) vai privilegiar os projetos nas áreas florestal, agrícola e turística, disse esta segunda-feira o ministro Adjunto, Pedro Siza Vieira, rejeitando a construção de autoestradas na região.

“Os turistas que procuram a natureza não estão preocupados com as estradas”, afirmou Pedro Siza Vieira aos jornalistas, durante uma reunião sobre o PRTI, em Góis, com a presença do coordenador da Unidade de Missão para a Valorização do Interior, João Paulo Catarino, além de autarcas e outros responsáveis da administração pública.

O ministro salientou que o interior, designadamente os sete concelhos mais afetados pelos incêndios de 17 de junho (Pedrógão Grande, Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos, Pampilhosa da Serra, Penela, Góis e Sertã), é “um espaço absolutamente extraordinário para atração” das atividades turísticas.

Quanto ao setor primário, defendeu a importância de “testar algumas ideias” de investimento na agricultura familiar e na exploração florestal, recorrendo aos incentivos públicos majorados lançados pelo Governo na sequência daquela tragédia.

No entanto, Pedro Siza Vieira salientou que o Plano de Revitalização do Pinhal Interior, concebido com contributos daqueles municípios, nos distritos de Coimbra, Leiria e Castelo Branco, rejeita “a monocultura e as manchas contínuas” da mesma espécie, apostando, pelo contrário, numa floresta diversificada que possa criar emprego e atrair população.

“Este não é um território para ser atravessado por autoestradas”, disse, após ser questionado sobre como serão, no âmbito do plano, melhoradas as acessibilidades nestes espaços de baixa densidade demográfica que, desde pelo menos a II Guerra Mundial, em meados do século XX, não parou de perder população devido ao isolamento, falta de emprego e investimentos públicos.

O ministro Adjunto admitiu, contudo, que os municípios e as localidades do interior necessitam de melhores ligações rodoviárias entre si.

“Precisamos de atrair investimento”, sublinhou, ao preconizar a necessidade de a Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) passar “a vender as vantagens deste território”, a fim de promover a iniciativa dos empreendedores de outros países.

Importa “acrescentar valor àquilo que é a atividades específica do setor primário” e captar projetos produtivos que beneficiem dos incentivos criados para o efeito na sequência dos fogos do último ano.

Na conferência de imprensa, no auditório da Biblioteca Municipal de Góis, a presidente da Câmara local, Maria de Lurdes Castanheira, afirmou que o PRTI constitui “uma grande oportunidade” para alterar “completamente a realidade” destes municípios montanhosos.

“Está criado um caminho diferente para mudarmos a realidade do Pinhal Interior”, que reúne um total de 19 municípios, acrescentou a autarca do PS.




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