DGS passa a recomendar uso de máscaras sociais em locais fechados

A Direção-Geral de Saúde (DGS) considerou a posição do Centro Europeu de Controlo e Prevenção da Doença e passará a recomendar o uso de máscaras pela comunidade em locais públicos fechados depois do confinamento.

Ministra avisa, no entanto, que se trata apenas de uma medida adicional e que estas máscaras não devem ser usadas nem por doentes nem por profissionais de saúde.

Dando conta dos dados do boletim epidemiológico conhecidos esta segunda-feira (registando-se 535 mortos e 16.934 infetados), Marta Temido começou por salientar, na conferência diária sobre a evolução do surto de Covid-19 em Portugal, que a taxa de letalidade subiu alguns pontos percentuais, situando-se agora nos 3,2%. Acima dos 70 anos, a taxa de letalidade situou-se nos 11,2%.

Relativamente aos novos casos confirmados, a situação dos mesmos é a seguinte: 88,2% eram pessoas que permaneciam nos seus domicílios, 7% eram pessoas que estavam internadas, das quais 5,9% em enfermaria de hospital e 1,1% em unidade de cuidados intensivos, sublinhou.

“Registámos nas últimas 24 horas, 40 saídas de cuidados intensivos”, maioritariamente para unidades de internamento geral, destacou a ministra.

Sobre os doentes que estão em casa a ser acompanhados por telefone, neste momento, “a atualização de números mostra que há cerca de 73 mil profissionais a utilizar a aplicação Trace Covid-19 e mantém-se cerca de 36 mil utentes em vigilância clínica”.

No que diz respeito à Linha de Saúde 24, Marta Temido disse que continua a funcionar com normalidade, sendo esta uma tendência que se tem mantido nos últimos dias. Ontem, adiantou a ministra, a linha recebeu 10.943 chamadas (de todo o tipo) e atendeu 9.903, com a generalidade dos utentes a esperar cerca de 30 segundos.

Já a linha de atendimento psicológico, regista quase 230 chamadas (entre cidadãos em geral e profissionais).

Já se testou mais em abril do que em todo o mês de março

Quanto aos testes, a ministra referiu que desde o dia 1 de março foram realizados quase 179 mil testes de diagnóstico para Covid-19 e, entre 1 e 31 de março, realizaram-se cerca de 45% destes testes, e de 1 a 12 de abril cerca de 55% destes. Ou seja, durante os primeiros dias de abril, já realizámos mais testes do que durante o mês de março, o que mostra a nossa estratégia de testar mais.

Quanto ao equipamento de proteção individual, o plano de entregas semanais “prevê que esta semana sejam recebidas encomendas externas e encomendas internas”. Nas externas, assinalou Marta Temido, está prevista a entrega de 19 milhões cirúgicas e 1 milhão de FFP2, para além de luvas, viseiras, etc. Da indústria nacional, “receberemos batas, fatos de proteção e toucas”.

Por último, e relativamente aos ventiladores, “esta semana estamos a fazer todos os esforços no sentido de conseguir a entrega dos ventiladores que já adquirimos”.

Nova norma sobre o uso de máscaras

A DGS irá publicar ainda esta segunda-feira uma informação sobre o uso de máscaras na comunidade, revelou Marta Temido, sublinhando alguns aspetos da norma: “Existem três tipos de máscaras”, explicou, distinguindo “os respiradores, o que designamos como FFP2, ou seja, um equipamento individual de proteção destinado aos profissionais de saúde; “as designadas máscaras cirúrgicas, um dispositivo que previne a transmissão de agentes infeciosos das pessoas que a utilizam para as restantes; e as máscaras não cirúrgicas, que também se podem designar máscaras comunitárias ou sociais.

Estes últimas “são dispositivos diferentes dos anteriores, não obedecem a normalização, podem ser de diferentes materiais (algodão, têxtil ou outros) e são destinados à população em geral”, vincou a ministra, acrescentando que estas máscaras não se destinam, em caso nenhum, a ser utilizados por profissionais de saúde ou pessoas doentes. “Não são dispositivos certificados!”, acentuou.

Recordando que a DGS recomendou as máscaras cirúrgicas a todos os profissionais de saúde, pessoas com sintomas respiratórios, pessoas que entrem em instituições de saúde pessoas mais vulneráveis e alguns grupos profissionais, a ministra sinalizou as recentes recomendações do Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças, que apresentou ” um conjunto de argumentos a favor e contra o uso das máscaras sociais”.

Assim, e tendo em conta “o princípio básico da precaução em saúde pública e face à ausência de efeitos adversos associados ao uso de máscara”, a norma da DGS refere que “pode ser considerada a sua utilizada a sua utilização por qualquer pessoa em espaços interiores fechados e com um elevado número de pessoas (transportes públicos, farmácias, espaços comerciais, etc)”.

“O uso de máscaras na comunidade constitui uma medida adicional suplementar às medidas já anteriormente recomendadas”, salvaguardou Marta Temido, referindo-se à lavagem das mãos, etiqueta respiratória e distância social.

A ministra lembrou ainda que a utilização deste tipo de equipamento deve ser meticulosa e sublinhou que será igualmente fornecida toda a informação sobre o uso correto do mesmo.

Marta Temido quis ainda lembrar que “nos encontramos numa regra de confinamento” e que, portanto, esta utilização da máscara é “diferida no tempo”. “Neste contexto, diversas entidades, designadamente o Infarmed, a ASAE, entre outros, “concluirão esta tarde a as normas técnicas para a utilização das máscaras sociais”, partilhando-as depois com a indústria.

Respondendo às questões dos jornalistas, a governante explicou que “num contexto em que não é aquele em que nos situamos hoje – em estado de emergência que apela ao confinamento e à restrição das atividades essenciais – nos espaços onde estejam várias pessoas “poderá ser considerada a utilização da máscara não cirúrgica”.

Marta Temido realçou ainda que “temos de ter a preocupação de dar passos pequenos mas seguros”, lembrando que os resultados obtidos “são encorajadores na forma como temos gerido a pandemia”, embora se lamentem sempre os óbitos e as dificuldades ao longo das últimas sete semanas.

“Não queremos de todo em todo perder aquilo que foram os resultados adquiridos e temos que ponderar muito cautelosamente todos os passos que damos”, vincou.



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